Intensificação das Negociações entre EUA e Irã enseguecida por Ataques que Comprometem Cessar-Fogo

Intensificação das Negociações entre EUA e Irã enseguecida por Ataques que Comprometem Cessar-Fogo

by Ricardo Almeida
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Conflito entre EUA e Irã

Na última quinta-feira, os Estados Unidos e o Irã realizaram uma série de ataques aéreos. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou retaliar com novos ataques caso o Irã não aceitasse, de forma imediata, um acordo de paz. Entretanto, fontes iranianas alegaram que as conversações para um entendimento preliminar estavam se intensificando.

Três fontes iranianas, junto a uma autoridade da Europa, informaram que as duas nações estavam trocando mensagens sobre os termos de um memorando, após um consenso político emergir. Contudo, ainda havia questões pendentes que necessitavam de discussões detalhadas, como a criação de um mecanismo para liberar bilhões de dólares em bens iranianos que estão congelados.

Uma das fontes iranianas declarou que “esta guerra, sob uma perspectiva militar, se tornou um beco sem saída. Os norte-americanos não lograrão alcançar seus objetivos ao atacar o Irã. Houve progresso nas negociações”.

Trump assinalou repetidamente que um acordo está próximo, entretanto, autoridades americanas não se pronunciaram de forma imediata sobre a evolução mais recente das conversações indiretas.

Ataques de Retaliação

A guerra em curso já resultou na morte de milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e elevou os preços do petróleo global desde o momento em que os EUA e Israel desencadearam ataques aéreos intensos contra o Irã em 28 de fevereiro.

As hostilidades se intensificaram ao longo da semana, apesar de um frágil cessar-fogo que foi estabelecido no início de abril. Esses ataques de retaliação afetaram todo o Irã, assim como bases americanas na região, após a queda de um helicóptero Apache dos EUA, que ocorreu na segunda-feira nas proximidades do Estreito de Ormuz.

De acordo com as Forças Armadas dos EUA, os ataques mais recentes tiveram o objetivo de atingir “capacidades de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea em território iraniano” em resposta ao que foi classificado como uma “agressão injustificada e contínua” por parte de Teerã.

Trump, em conversa com o repórter da Fox News, Trey Yingst, afirmou na quarta-feira que os ataques americanos teriam um intervalo, mas ressalvou que retomaria os bombardeios intensos se os líderes iranianos não concordassem em firmar um acordo com os EUA rapidamente. Os preços do petróleo aumentaram após essas declarações, embora tenham recuado posteriormente em decorrência da avaliação dos operadores sobre o impacto real das interrupções no fornecimento.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA declarou que os ataques terminaram cerca de quatro horas após seu início, logo depois da meia-noite em Teerã.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que lançou contra-ataques contra 18 alvos militares dos EUA localizados em bases aéreas no Kuwait e no Bahrein, além de atacar a Quinta Frota da Marinha dos EUA, baseada no Bahrein.

Ademais, o Irã também comunicou ter realizado um ataque à base aérea de al-Azraq na Jordânia, disparando 12 mísseis balísticos contra a base americana por dois dias consecutivos.

O Ministério do Interior do Bahrein relatou que uma criança de 11 anos sofrer lesões leves devido aos destroços de drones iranianos, que desabaram sobre a cidade de Hamad e a capital, Manama, após serem interceptados e destruídos.

O Kuwait, por sua vez, anunciou a suspensão temporária de seu espaço aéreo em razão de um ataque iraniano.

Fundos Iranianos Congelados

Trump declarou que o Irã havia levado tempo demais para negociar um acordo. As três fontes iranianas e a fonte europeia ressaltaram a importância de se chegar a um entendimento a respeito de um mecanismo que possibilite a liberação de receitas de petróleo iraniano que se encontram congeladas em bancos de outros países.

De acordo com uma fonte iraniana citada pela Reuters, “o Irã deseja que entre US$6 bilhões e US$12 bilhões de seus fundos congelados sejam liberados. Por outro lado, Washington propõe liberar esses montantes em etapas, mas apenas para bens humanitários, rejeitando a devolução total dos recursos ao Irã”.

As prioridades da cúpula clerical iraniana não concentram-se em um acordo abrangente, mas sim em criar uma estrutura que restitua um mínimo de autonomia ao regime de Teerã, desbloqueando os ativos congelados e suspendendo as hostilidades, conforme afirmam as fontes iranianas.

As exigências de Teerã incluem, ainda, a interrupção dos ataques israelenses no Líbano, que ocorreram após agressões transfronteiriças da facção Hezbollah, alinhada ao Irã, a revogação de sanções impostas ao país e o reconhecimento da autoridade iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

Trump, por sua vez, diz que o Irã deve eliminar suas restrições sobre a navegação no Estreito de Ormuz e que qualquer acordo de paz deve assegurar que o Irã não terá a capacidade de desenvolver armamento nuclear. O governo iraniano, entretanto, negou ter tal intenção.

Essa situação tornou-se um desafio político para a administração da Casa Branca, com pesquisas indicando que a popularidade de Trump está em queda, devido à insatisfação dos cidadãos em relação aos altos preços dos combustíveis.

Alguns membros do Partido Republicano temem que a desaprovação relacionada à guerra possa comprometer sua posição no Congresso nas próximas eleições de meio de mandato, programadas para novembro.

EUA Negam Fechamento do Estreito

O comando militar conjunto do Irã alertou que abriria fogo contra qualquer embarcação que tentasse atravessar o Estreito de Ormuz, um corredor estratégico para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito, com o acesso praticamente bloqueado por meses. Relatos da mídia iraniana mencionaram a suposta detecção de dois navios dos EUA sob fogo.

O Comando Central dos EUA, entretanto, contestou a alegação de que o estreito estivesse fechado, assegurando que navios comerciais continuavam a navegar pela rota, apesar das ameaças emanadas do Irã.

Os Estados Unidos mantêm um bloqueio sobre os portos iranianos e, na quarta-feira, informou ter disparado contra uma embarcação no Golfo de Omã que descumpria ordens, transportando petróleo oriundo do Irã.

Autoridades indianas confirmaram que três marinheiros indianos perderam a vida durante uma operação militar dos EUA, destinada à interceptação de um petroleiro nas proximidades de Omã, como parte do bloqueio executado por Washington. A embaixada indiana naquele país relatou um incidente distinto envolvendo outro navio petroleiro, mas um oficial da marinha indiana assegurou que todos os cidadãos indianos a bordo estavam em segurança.

Agências de notícias iranianas relataram a ocorrência de explosões em várias cidades do país, que conta com uma população de 93 milhões de habitantes, incluindo locais como Sirik, Kargan, Bandar Abbas, Minab e Karaj, que estão adjacentes ao estreito, além de Varamin, que está localizada mais ao norte, nas proximidades do Mar Cáspio. Autoridades iranianas informaram que pelo menos cinco pessoas ficaram feridas em decorrência desses incidentes.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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