O acordo comercial entre Mercosul-UE começou a vigorar na última sexta-feira, dia 1º, representando o início de uma nova fase na relação econômica entre os blocos. Essa medida trará benefícios de forma prática, pois contempla a redução e até a eliminação de tarifas, com o objetivo de estimular as exportações brasileiras nos próximos meses.
A expectativa é de um aumento nas vendas externas, estimado em até US$ 1 bilhão ao longo de um período de 12 meses, de acordo com previsões feitas pela ApexBrasil.
Leia também: Acordo Mercosul-UE entra em vigor com baixa chance de reversão jurídica, diz consultor
543 produtos lideram o avanço imediato
O impacto inicial do acordo será concentrado em um grupo específico de mercadorias. No total, 543 produtos brasileiros foram identificados como tendo maior potencial de crescimento imediato nas exportações para o mercado europeu.
Esses itens pertencem a um universo maior que abrange cerca de 5 mil produtos que vão se beneficiar de algum nível de redução tarifária.
Os dados da ApexBrasil indicam que o ímpeto das exportações brasileiras para a União Europeia será impulsionado, principalmente, por setores industriais. Entre esses setores, destacam-se máquinas e equipamentos, transporte, obras diversas, artigos manufaturados e produtos químicos, que mostram uma elevada demanda no mercado europeu combinada à redução imediata ou acelerada de tarifas.
No setor de máquinas e equipamentos, o potencial de crescimento é associado à baixa participação do Brasil nas importações europeias. Produtos como motores para geração de energia, motores de pistão e geradores elétricos estarão isentos de tarifas já no início do acordo. Apesar da presença ainda limitada, que varia entre aproximadamente 1,4% e 2,8%, a competitividade brasileira proporciona um espaço significativo para rápida expansão nesse mercado.
O setor de transporte também se apresenta como estratégico. A exportação de aviões e outros veículos aéreos já possui uma presença significativa na Europa, com uma participação de 5,7%. A redução tarifária prevista para os próximos anos tende a consolidar ainda mais esse posicionamento, ampliando os contratos e solidificando o Brasil como um fornecedor importante neste segmento.
No campo de obras diversas, o crescimento poderá ser originado da combinação entre um grande consumo europeu e a pequena participação do Brasil no mercado. Itens como calçados, óculos de sol e joias têm uma participação inferior a 2% nas importações da União Europeia. Com a redução de tarifas — especialmente a do setor de calçados —, o setor terá a oportunidade de aumentar sua competitividade e de conquistar novos mercados.
Leia também: Acordo UE-Mercosul abre janela para agronegócio brasileiro reposicionar imagem no exterior
Outros produtos com potencial de crescimento
| Produto | Situação Tarifária | Participação do Brasil nas importações da UE |
|---|---|---|
| Sementes para semeadura | Tarifa reduzida | 2,7% |
| Farinha de soja | Tarifa reduzida | 2,7% |
| Pimentas | Tarifa reduzida | 6,4% |
| Leveduras | Tarifa reduzida | 6,4% |
| Óleo de milho bruto | Tarifa reduzida | 4,5% |
| Carne bovina | Cotas com tarifa reduzida | 19,1% |
| Carne de aves | Cotas com tarifa zero | 24,2% |
| Carne suína | Cotas com tarifa reduzida | 1,4% |
| Mel natural | Cota com tarifa zero | 2,1% |
| Café solúvel | Redução em até 4 anos | 9,9% |
| Frutas (abacate, limão, melão, uva, maçã) | Tarifa zerada | Não especificado |
Os artigos manufaturados também se destacam como pilares neste movimento. Couros, peles, embalagens de madeira e ferramentas industriais já possuem uma participação um pouco mais elevada, em torno de 4,1%. A redução de barreiras tarifárias tende a alavancar ainda mais esses produtos, principalmente pela tradição exportadora brasileira nesses segmentos.
Os produtos químicos se sobressaem por apresentarem uma das maiores participações atuais do Brasil nas compras europeias. Itens como óleos essenciais cítricos e amálgamas de metais preciosos conseguem atingir uma participação de 10,8%. Com a redução das tarifas, este setor deve avançar de forma mais consistente, aumentando sua presença em um mercado que já está parcialmente consolidado.
Redução de tarifas já começa a valer com o acordo de Mercosul-UE
Nesta fase inicial, aproximadamente 54% dos produtos exportados pelos países do Mercosul passam a ser importados pela União Europeia com tarifa zero. Essa mudança reduz custos e aumenta a competitividade dos produtos brasileiros ao serem comparados a outros fornecedores internacionais.
Por outro lado, a perspectiva europeia é que a abertura ocorra de forma mais gradual. Apenas cerca de 10% dos produtos que são exportados para o Mercosul receberão o mesmo tratamento tarifário neste início, criando, assim, uma vantagem temporária para os países sul-americanos.
A discrepância no ritmo de abertura das tarifas é vista como uma oportunidade para ampliar a presença dos produtos brasileiros em um dos maiores mercados consumidores do planeta.
Europa amplia espaço para exportações
A União Europeia representa um mercado robusto, com uma economia estimada em aproximadamente US$ 20 trilhões e um volume anual de importações que gira em torno de US$ 7 trilhões.
Mais de US$ 3,4 trilhões desse total são oriundos de compras feitas fora do bloco, indicando assim um espaço considerável para a expansão das exportações brasileiras.
Com a redução das tarifas, produtos nacionais poderão competir em condições mais favoráveis, especialmente em setores que já são consolidados nas relações de comércio exterior.
Impactos do Mercosul-UE devem aparecer primeiro nas empresas
Os efeitos mais imediatos do acordo serão provavelmente percebidos pelas empresas exportadoras. A redução dos custos e a simplificação de acesso ao mercado europeu devem acelerar as negociações e ampliar os contratos comerciais.
Para os consumidores, tanto no Brasil quanto na Europa, as mudanças deverão ocorrer de modo gradual. A expectativa é que os preços e a oferta de produtos se ajustem ao longo do tempo, à medida que o fluxo comercial entre os blocos se intensifique.
Leia também: Mar Cáspio: o corredor logístico que abriga bilhões em reservas de petróleo e que é palco de três guerras ao mesmo tempo.
Dessa forma, o acordo Mercosul-UE representa uma janela importante para o comércio brasileiro, com ganhos iniciais concentrados em setores estratégicos e a possibilidade de uma expansão mais ampla nos anos vindouros.
Fonte: timesbrasil.com.br


