Momento de avaliar a ação da Natura (NATU3) é agora, afirma CEO; 'é uma empresa com grande potencial de lucratividade'

Momento de avaliar a ação da Natura (NATU3) é agora, afirma CEO; ‘é uma empresa com grande potencial de lucratividade’

by Ricardo Almeida
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Desempenho financeiro da Natura

A Natura (NATU3) é uma empresa que demonstra alta capacidade de gerar lucro, conforme destacou o CEO João Paulo Ferreira durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (17). A declaração veio após a companhia ter revertido prejuízos em comparação ao ano anterior, apresentando lucro no quarto trimestre de 2025.

O balanço financeiro divulgado um dia antes mostrou um lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões para o quarto trimestre de 2025. Com isso, a empresa conseguiu reverter um prejuízo de R$ 227 milhões que havia sido registrado no mesmo período de 2024, mesmo diante de um trimestre que apresentou queda nas receitas e impactos contábeis decorrentes da simplificação do grupo.

Expectativas para o mercado

É importante lembrar que a administração da Natura já previa para este trimestre uma recuperação saudável das operações no México e Argentina, após a Onda 2 (processo de integração). Além disso, medidas para a contenção de despesas foram implementadas, em conjunto com a finalização de gastos relacionados ao processo de reestruturação da empresa.

A Natura concluiu um ciclo de transformação de custos na América Latina, que incluiu a venda da Avon International. No final de 2025, a companhia já manifestava otimismo em relação ao destravamento de valor para a organização.

Análise do setor e resultados financeiros

João Paulo Ferreira, acompanhado da CFO da Natura, Silvia Vilas Boas, observou que houve uma leve queda nas receitas no Brasil. Esse fenômeno se deve a uma base de consultoras menor e menos ativa, além da redução no consumo, especialmente na região Nordeste. Apesar dessas dificuldades, a empresa continua mantendo a liderança no mercado.

O resultado financeiro também foi impactado por uma provisão não recorrente de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop, que não teve efeito no caixa. Excluindo esse impacto, o lucro das operações continuadas teria sido de R$ 620 milhões, o que representa um avanço anual de R$ 321 milhões.

A receita líquida totalizou R$ 6,19 bilhões neste trimestre, representando uma queda de 12,1% em relação ao ano anterior. Essa diminuição reflete, principalmente, a desaceleração no mercado brasileiro e os impactos cambiais e de hiperinflação em países da América Hispânica, com destaque para a Argentina.

O EBITDA recorrente alcançou R$ 978 milhões, avanços de 57,2% em comparação anual, sendo este um dos pontos mais positivos que agradou aos analistas. A margem EBIT ficou em 15,8%, o que representa uma expansão de cerca de 7 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024.

Desempenho das ações da Natura

No pregão de terça-feira (17), as ações da Natura tiveram um desempenho positivo, acompanhando o Ibovespa (IBOV). O mercado reagiu de forma favorável aos números apresentados no quarto trimestre, com a ação alcançando um salto de 12% em seu maior valor. No acumulado de 2026, o desempenho das ações é positivo, chegando a uma variação de 28%.

Embora a resposta do mercado tenha sido favorável, a companhia enfrentou momentos desafiadores, com suas ações passando por baixa em função da alavancagem e pelos impactos do processo de reestruturação que vem sendo implementado desde 2022.

O CEO da Natura admite que a empresa teve que enfrentar um cenário em que as decisões tomadas não geraram os retornos esperado, o que resultou na necessidade de redefinir estratégias. Segundo Ferreira, “todos os investidores veem a Natura na América Latina como uma potência. No entanto, enfrentamos aquisições que não trouxeram os retornos esperados. Por isso, optamos, em 2022, por retornar às nossas origens. Levamos três anos para concluir a venda da Aesop e da The Body Shop e restabelecer nosso foco na América Latina.”

Expectativas de mercado

Ferreira afirmou que os investidores estavam ansiosos para chegar a um novo momento de valorização das ações da Natura, e acredita que esse momento está se concretizando. Ele destaca ainda que a empresa precisa demonstrar uma consistente expansão de receitas, rentabilidade e fluxo de caixa, que sofreram compromissos por eventos não recorrentes nos últimos anos.

“Atualmente, temos operações e balanço totalmente organizados. Por isso, tenho plena confiança de que, daqui para frente, poderemos apresentar consistência e que o mercado nos reconhecerá”, finalizou Ferreira.

Retomada da marca Avon

O ano de 2026 deverá marcar a reinvenção da marca Avon. A intenção, segundo João Paulo Ferreira, é que a marca desperte um desejo renovado, oferecendo produtos de maior qualidade, mas sem perder o foco em ser uma alternativa acessível em relação às linhas da própria Natura.

O CEO salientou que, no segundo semestre de 2025, a companhia observou um aumento na competitividade no mercado brasileiro, com o fortalecimento de marcas independentes e importadas. Para isso, no final do ano anterior, a empresa revisou o planejamento de lançamentos, a fim de se posicionar melhor diante da concorrência.

Estão programados uma série de lançamentos a partir do segundo trimestre de 2026, que atenderão às necessidades do mercado, conforme mencionado por Ferreira durante a coletiva. A marca deve registrar um aumento no preço médio em comparação ao passado, levando em consideração as inovações e tecnologias que serão incorporadas na repaginação da Avon. Lançamentos devem ocorrer nas próximas semanas.

Esse reposicionamento e outras iniciativas visam enfrentar a concorrência de marcas nativas digitais que surgem influenciadas por influenciadores digitais. Segundo Ferreira, “o papel estratégico da Avon é manter-se presente em cenários de restrição de renda. A Avon serve como uma opção mais acessível, mas precisa se tornar também mais atraente. É precisamente isso que estamos implementando com o relançamento da marca.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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