Resultado trimestral da Natura aponta queda significativa no lucro e na receita
A Natura (BOV:NATU3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 35 milhões nas operações continuadas. Esse número representa uma diminuição expressiva de 92,1% em comparação aos R$ 446 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado trimestral foi acompanhado por uma receita líquida de R$ 5,17 bilhões, o que indica um recuo de 9,1% na comparação anual. Esses resultados ocorrem em um cenário de consumo enfraquecido e desafios operacionais enfrentados no Brasil.
Desempenho financeiro e desafios operacionais
Os números refletem que a Natura ainda se encontra em um período de ajustes após a simplificação de sua estrutura e a integração de suas operações. A companhia já havia antecipado, em julho, que esperava uma receita entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões para o segundo trimestre, apontando a pressão sobre esses números principalmente ao mercado brasileiro, a escassez de produtos, a estabilização de sistemas e as mudanças na operação de franquias.
Apesar da diminuição no lucro e na receita, o resultado operacional demonstrou alguma resiliência. O Ebitda alcançou R$ 620 milhões no segundo trimestre, apresentando uma baixa de 5,9% se comparado ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda, por sua vez, avançou 0,4 ponto percentual, chegando a 12,0%. Isso indica que a Natura fez esforços para preservar parte de sua rentabilidade mesmo diante da retração nas vendas.
Resultado financeiro e geração de caixa
Um ponto de destaque foi o resultado financeiro, que passou de positivo em R$ 23 milhões no segundo trimestre de 2025 para negativo em R$ 297 milhões no período entre abril e junho de 2026. Essa mudança impactou diretamente o lucro líquido e demonstra o peso das despesas financeiras no balanço da companhia.
No entanto, houve um sinal positivo na geração de caixa. O fluxo de caixa livre da empresa atingiu R$ 342 milhões no trimestre. Além disso, os investimentos somaram R$ 49 milhões, representando uma queda de 52% na comparação anual, o que reflete uma postura mais disciplinada na alocação de capital.
Melhora na dívida líquida
A dívida líquida da Natura também apresentou outros resultados positivos. Ao fim de junho, a companhia reportou uma dívida líquida de R$ 3,86 bilhões, uma redução em relação aos R$ 4,042 bilhões do primeiro trimestre. Assim, a alavancagem financeira recuou de 2,12 vezes para 2,06 vezes, sinalizando uma diminuição gradual do nível de endividamento relativo da empresa.
Desafios futuros e estratégia de recuperação
O principal desafio para a Natura permanece na recuperação das vendas e na normalização das operações no Brasil. Antes da divulgação do balanço completo, a companhia já havia citado problemas de disponibilidade de produtos, que estariam relacionados à estabilização do novo sistema de planejamento integrado, à atualização do sistema de gestão empresarial e à transferência de volumes após o fechamento da fábrica de Interlagos. Também foram mencionados efeitos temporários decorrentes de políticas comerciais, franquias e mudanças tributárias no estado de São Paulo.
A estratégia da administração inclui diversas medidas destinadas a recuperar o ritmo comercial no Brasil. Entre elas, estão ajustes na cadeia de abastecimento, revisão de incentivos para a força de vendas, ofertas mais regionalizadas, expansão de canais digitais e a retomada da abertura de lojas sob o novo modelo de franquias.
Cotações e mercado de ações
Na última sessão anterior, realizada na segunda-feira (10/08), as ações da Natura encerraram cotadas a R$ 8,08, sem apresentar variação. Como a publicação dos resultados acontece antes da abertura da bolsa de valores na terça-feira (11/08), o mercado ainda não avaliou completamente os números do segundo trimestre de 2026 no preço das ações.
A cotação de R$ 8,08 encontra-se aproximadamente 27,5% abaixo da máxima de R$ 11,15 registrada nas últimas 52 semanas e permanece cerca de 13,3% acima da mínima de R$ 7,13 durante o mesmo período. O desempenho no dia 11 de agosto deverá revelar como os investidores avaliarão a forte queda do lucro e da receita em contrapartida à redução da dívida líquida, à geração de caixa e à melhora da margem Ebitda.
Contexto da Natura no setor
A Natura é reconhecida como uma das principais empresas de beleza e cuidados pessoais na América Latina, atuando em diversas categorias, como cosméticos, perfumaria, cuidados com a pele e produtos para o corpo. A companhia opera, principalmente, através das marcas Natura e Avon e, após um processo de simplificação corporativa, passou a concentrar sua estratégia na América Latina. No balanço de 2025, a empresa ressaltou a conclusão de etapas significativas dessa reorganização e a expansão da rentabilidade recorrente.
Para os investidores que acompanham as ações da Natura, o segundo trimestre destaca a capacidade de recuperação das vendas no Brasil, a implementação dos ajustes operacionais e a trajetória da dívida. O próximo passo será observar se as medidas adotadas pela administração serão capazes de transformar a melhora do fluxo de caixa e da alavancagem em um retorno robusto e sustentável nos resultados trimestrais.
Fonte: br.-.com

