Avanços nas Negociações da Raízen
A Raízen (RAIZ4) está progredindo em seu plano de negociação com credores de sua dívida totalizada em R$ 65 bilhões. Contudo, um acordo ainda está condicionado a que a empresa atenda a uma exigência de alguns credores que demandam uma nova captação de recursos, com o intuito de estabelecer um plano de recuperação sustentável. Essas informações foram divulgadas na coluna Pipeline, do Valor Econômico.
Contexto da Recuperação Extrajudicial
Atualmente, a Raízen se encontra em recuperação extrajudicial, tendo até o dia 9 de junho para apresentar um plano que deve ser aprovado por pelo menos 50% dos credores mais um. De acordo com a reportagem, a empresa já tem garantido o quórum necessário com credores locais, mas ainda aguarda o apoio dos bondholders, que são responsáveis por cerca de 40% da dívida da empresa.
Diversas propostas de acordo foram discutidas, mas ainda não foi encontrada uma solução definitiva. A participação de R$ 500 milhões de Rubens Ometto no processo de reestruturação está sob questionamento.
Desdobramentos em Potencial
A proposta em análise inclui uma capitalização de R$ 3,5 bilhões pela Shell e a eventual divisão da Raízen em duas empresas: uma focada na produção de etanol e a outra na distribuição de combustíveis. Apesar disso, os credores consideram crucial que a empresa busque uma nova captação de recursos para garantir um plano viável e chegaram a sugerir um financiamento de R$ 2,5 bilhões, o qual não avançou devido às condições oferecidas.
Perspectivas de Mudança na Direção
Um dos focos do plano de recuperação da Raízen inclui a eleição de um novo conselho de administração, previsto para acontecer no primeiro trimestre de 2027, além da criação do cargo de diretor de reestruturação (CRO).
A Situação e a Alternativa da Recuperação Extrajudicial
A Raízen protocolou o pedido de recuperação extrajudicial em 11 de março deste ano. Diferentemente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem suas dívidas diretamente com os credores. A abordagem visa evitar a judicialização do processo, tentando alcançar acordos que permitam a reestruturação de suas obrigações financeiras. Este caminho é considerado menos burocrático e mais ágil.
A companhia busca evitar a transição para um processo de recuperação judicial e pretende levar um plano para homologação na Justiça antes do término do prazo de 90 dias, estipulado por lei. O entendimento é de que essa alternativa seria a menos desejável para as partes envolvidas.
A Trajetória da Raízen
A Raízen fez sua estreia na bolsa em um período marcado por uma onda de IPOs em 2021, apresentando uma avaliação inicial de R$ 76 bilhões e a promessa de liderar uma revolução em combustíveis sustentáveis, especialmente com o etanol de segunda geração (E2G). No entanto, a realidade se revelou desafiadora, enfrentando dificuldades significativas, como a diminuição do interesse global por investimentos em critérios ESG e o avanço do etanol de milho, que é mais acessível e escalável. Além disso, o cenário de preços do açúcar e do etanol também se tornou desfavorável.
Quase cinco anos após o IPO, realizado em 5 de agosto de 2021, a joint venture entre Cosan e Shell viu seu valor de mercado desmoronar, tornando-se uma penny stock, em que suas ações passaram a ser negociadas a preços bastante reduzidos. Durante esse mesmo período, a empresa acumulou uma dívida expressiva após um agressivo ciclo de aquisições e expansão de ativos.
Reestruturação e Resultados Financeiros
Para reverter a trajetória negativa, a Raízen iniciou, no final de 2024, um processo de reestruturação focado na redução da alavancagem. Esse movimento inclui mudanças significativas na alta administração, destacando a nomeação de Nelson Gomes como novo CEO, profissional com experiências anteriores em empresas do setor, como ExxonMobil e Cosan.
Até fevereiro de 2026, a companhia conseguiu levantar aproximadamente US$ 5 bilhões por meio de desinvestimentos, incluindo a venda de usinas e outros ativos. No entanto, no terceiro trimestre da safra de 2025/2026, a empresa enfrentou abalos adicionais, reportando um prejuízo de R$ 15,65 bilhões.
A dívida líquida aumentou de R$ 38,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para R$ 55,3 bilhões no terceiro trimestre de 2026, enquanto a relação dívida líquida/Ebitda subiu de 3 vezes para 5,3 vezes durante o mesmo período.
O Pedido de Recuperação e Consequências
Esse cenário financeiro crítico conduziu a rumores, negociações e promessas de aporte por parte de Cosan e Shell, em discussões que se estenderam por um longo período. Finalmente, no dia 11 de março, a Raízen formalizou o pedido de recuperação extrajudicial, buscando suspender por 90 dias o pagamento de suas dívidas que totalizam aproximadamente R$ 65 bilhões. Este movimento resultou na exclusão da companhia do Ibovespa e de outros índices na bolsa brasileira.
Propostas e Negociações Finais
A abertura do processo de recuperação extrajudicial possibilitou uma série de propostas envolvendo a reestruturação financeira da Raízen. Em 6 de abril, o Valor Econômico reportou que um grupo de credores rejeitou uma proposta que previa a conversão de 45% da dívida, o que equivale a cerca de R$ 29 bilhões, em ações. Essa conversão poderia potencialmente disponibilizar aproximadamente R$ 10 bilhões em vendas de ativos.
Alguns credores chegaram a enviar uma carta aos acionistas da Cosan e da Shell pedindo um reequilíbrio nas condições da proposta de reestruturação. Em 14 de abril, credores e detentores de títulos da Raízen apresentaram uma contraproposta que consistia em converter 45% da dívida em troca de 90% de participação na empresa.
No dia 20 de abril, a Bloomberg informou que bancos credores haviam elaborado uma nova proposta de reestruturação que previa a destinação de 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina para a diminuição da dívida.
Entre as exigências dos credores estava a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen, uma solicitação já defendida anteriormente pelos detentores de títulos. Enquanto isso, os bondholders solicitaram um aporte de R$ 8 bilhões, mas a proposta dos bancos não indicou um valor específico para a capitalização.
Após os eventos que impactaram as negociações, a Raízen comunicou à B3 que mantinha diálogos com credores e outras partes relevantes para tentar construir uma solução consensual para a reestruturação financeira, embora tenha enfatizado que ainda não havia definição a respeito dos próximos passos.
No dia 26 de abril, foi noticiado que a companhia havia encaminhado uma proposta alternativa aos credores enquanto continuava a negociar os termos da reestruturação de suas dívidas que somam R$ 65 bilhões. Segundo informações, a Raízen anunciou que estava em vias de assegurar uma captação de novos recursos que variariam entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões, montante que se somaria aos R$ 4 bilhões já comprometidos com financiamento por parte da Shell e de Rubens Ometto.
Apesar dos esforços, os credores ainda não receberam um sinal positivo da companhia em relação à mudança no comando do conselho, uma vez que Rubens Ometto demonstrava resistência em deixar a presidência.
Finalmente, no dia 28 de abril, um grupo de detentores de títulos da Raízen decidiu contratar a consultoria financeira Journey Capital e o escritório Felsberg Advogados para representá-los durante o processo de reestruturação da companhia. Esse grupo, segundo fontes, possui cerca de R$ 14 bilhões em títulos emitidos pela Raízen. A consultoria confirmou a contratação, enquanto Felsberg e a Raízen optaram por não comentar sobre a questão.
Fonte: www.moneytimes.com.br


