No Senado, Jaques Wagner apoia a venda da Ebal a Augusto Lima e critica estatal como 'excrescência' - Times Brasil

No Senado, Jaques Wagner apoia a venda da Ebal a Augusto Lima e critica estatal como ‘excrescência’ – Times Brasil

by Fernanda Lima
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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), expressou, em sessão plenária, seu apoio à venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Durante sua fala, Wagner caracterizou a estatal baiana como uma “excrescência”.

Esse pronunciamento ocorreu em 13 de maio, logo após uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master, a conexão de Vorcaro e a suposta participação do senador no esquema, sendo deflagrada em 18 de maio.

A privatização da Ebal incluiu a transferência do Credcesta a Augusto Lima. Esse produto funcionava como um cartão de crédito que oferecia desconto direto no salário de servidores públicos e aposentados, sendo posteriormente integrado ao Banco Master, onde se tornou um dos principais ativos da instituição financeira.

Justificativas de Wagner para a Privatização

No discurso, Wagner afirmou que a Bahia mantinha uma rede estatal de supermercados que apresentava resultados financeiros negativos, indicando que a privatização foi uma solução para eliminar tais prejuízos.

Ele declarou: “Nós tínhamos na Bahia uma excrescência, uma rede de supermercado estatal.” Wagner mencionou que a Ebal operava com 250 lojas, possuía três centros de distribuição de alimentos e acumulava um prejuízo anual de aproximadamente R$ 80 milhões.

Em suas palavras, “Imagine, eu que sou de esquerda, recebo do pessoal de direita liberal uma rede de supermercado com prejuízo de R$ 80 milhões por ano. Então, nós fizemos o que os liberais pregam e privatizamos. Quando nós privatizamos, o cartão Cesta, que era parte dessa rede de supermercado, foi junto com isso. Aí se encerra a participação minha ou do ex-governador nesse episódio.”

As declarações de Wagner foram uma resposta a um vídeo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), onde tenta associar a origem do escândalo do Banco Master à Bahia, mencionando Wagner e o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Citação da Gestão Bolsonaro

Além disso, durante o discurso, Wagner fez questão de argumentar que a origem do atual caso remonta à gestão de Jair Bolsonaro. Ele relembrou as tentativas de Daniel Vorcaro em adquirir o Banco Master em 2017 e 2019, afirmando que a concretização desse negócio ocorreu sob a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central.

Wagner observou que, entre 2021 e 2024, sob a liderança de Campos Neto, o Banco Central enviou 25 ofícios ao Banco Master solicitando medidas corretivas que não foram implementadas. Segundo ele, o Banco Central também não pediu, na época, a liquidação do banco, ao contrário do que ocorreu recentemente.

Com relação às captações do banco, Wagner mencionou que, até o final de 2024, elas aumentaram de R$ 30 bilhões para R$ 60 bilhões, sendo cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ele qualificou o processo como um “trambique” que ocorreu com a supervisão do Banco Central durante a presidência de Campos Neto, que havia sido indicado por Bolsonaro. O senador também se referiu a uma medida provisória aprovada em 2022, que autorizou o cartão a entrar no mercado de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Fala sobre Reportagem do Intercept

As declarações de Wagner coincidiram com a publicação de uma reportagem no site Intercept Brasil, que trouxe à tona mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento da produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Wagner concluiu sua intervenção mencionando que, em vez de o senador Flávio Bolsonaro tentar desviar as responsabilidades, deveria ser mais honesto frente aos fatos. “Vale a pena o senador Flávio Bolsonaro, em vez de tentar empurrar para outros a responsabilidade que é dele… E aí, o senhor vê que Deus é generoso comigo: no dia em que eu decido fazer essa fala, sai esta reportagem do Intercept, de um diálogo profícuo entre o senador Flávio Bolsonaro e o sr. Daniel Vorcaro”, afirmou.

Finalizando seu discurso, o líder do governo fez questão de ressaltar que não havia enriquecido durante o exercício de seu mandato. “Eu estou querendo concluir só para dizer, presidente, que eu não sou mais honesto que ninguém. Eu tenho o meu código de ética, eu tenho o meu código de funcionamento, eu não tenho sequer CNPJ”, declarou Wagner.

Ele acrescentou: “Mas eu não tenho, Rui Costa também não tem e Jerônimo Rodrigues, o atual governador da Bahia, também não tem CNPJ. São todas pessoas que têm um nível de vida bastante razoável – como eu tenho, nada a reclamar -, mas que não multiplicam o seu patrimônio porque estão sentados na cadeira de senador.”

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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