Drones de combate autônomos de baixo custo, conhecidos como Low-cost Unmanned Combat Attack System (LUCAS), estão posicionados na pista de um dos bases na área de operação do Comando Central dos EUA.
Fonte: U.S. CENTCOM
O Futuro do Poder Aéreo
O futuro do poder aéreo está nas plataformas autônomas e, apesar de os Estados Unidos serem a nação com a maior força aérea do mundo, podem não estar na liderança dessa inovação.
Essa afirmação foi feita por Matt George, CEO da desenvolvedora de aeronaves autônomas Merlin Labs. Em entrevista ao programa CONVERGE LIVE da CNBC, conduzido por Morgan Brennan, George destacou que plataformas autônomas de pequeno e médio porte têm dominado os conflitos no Irã e na Ucrânia.
Essas plataformas autônomas incluem drones não tripulados utilizados tanto para reconhecimento quanto para atacar diretamente alvos militares com uma carga útil. Esses drones são significativamente mais baratos e podem ser implantados com maior rapidez do que armas tradicionais, levando as forças armadas ocidentais a reavaliar suas prioridades de investimento.
“Acredito que os EUA perceberam que… não estão necessariamente atrás, mas também não possuem a liderança definitiva, e precisam investir nessas capacidades”, afirmou George.
Ele acrescentou: “Sabemos que os drones estão sendo usados atualmente nesse conflito no Irã… assim como na Ucrânia, que é, de fato, o primeiro conflito que se tornou uma guerra liderada por drones.”
Na Ucrânia, o governo utilizou o drone turco Bayraktar TB2 nos estágios iniciais da guerra entre Rússia e Ucrânia. Por sua vez, a Rússia também fez uso de drones Shahed-136, fabricados no Irã, para atacar a Ucrânia, além de seus próprios drones Lancet.
No Oriente Médio, o Irã também recorreu a drones Shahed como resposta a ataques de países do Golfo, após os EUA e Israel realizarem bombardeios no país em fevereiro.
“Temos falado sobre todos os sistemas avançados dos EUA, mas… também vimos plataformas tripuladas grandes se mostrarem muito vulneráveis. Observamos aeronaves de grande porte sendo colocadas em risco por adversários que utilizam munições muito menos dispendiosas e outras formas de guerra eletrônica”, comentou George.
Em junho de 2025, os serviços de segurança da Ucrânia lançaram um grande ataque de drones contra ativos aéreos russos, utilizando drones escondidos em caminhões e relatando danos a mais de 40 aeronaves.
O Irã também usou drones para atacar aeronaves dos EUA na Arábia Saudita, atingindo tanques de reabastecimento em voo e aeronaves de aviso antecipado.
Desigualdade de Custos
A disparidade de custos entre plataformas aéreas autônomas e interceptores de defesa aérea caros está se tornando cada vez mais evidente. No início da guerra na Ucrânia em 2022, um relatório do Center for Strategic and International Studies apontou que: “Disparar mísseis de US$ 4 milhões contra mísseis de cruzeiro russos de US$ 250.000 pode ser justificado se esses mísseis atingirem alvos sensíveis. No entanto, disparar um míssil de US$ 4 milhões contra um drone iraniano Shahed-136 de US$ 50.000 provavelmente não seria um bom negócio.”
Um míssil interceptador PAC-3, usado como parte do sistema de defesa aérea Patriot fabricado nos Estados Unidos, custa cerca de US$ 4 milhões, segundo o CSIS.
Essa disparidade foi novamente observada durante a guerra do Irã, quando surgiram relatos de que os estoques de interceptadores dos EUA no Golfo estavam se esgotando rapidamente em meio aos ataques com drones iranianos.
Em um artigo publicado em 23 de abril na plataforma The Conversation, Aaron Brynildson, professor de direito na Universidade do Mississippi, escreveu que “a Rússia ou o Irã não precisam que todos os seus drones atinjam seus alvos. Eles apenas precisam continuar enviando ondas de drones até que seu oponente esgote seus mísseis caros para reagir”.
George mencionou que está notando um “real redirecionamento” por parte de países ocidentais no que diz respeito a investir em tecnologia autônoma. Ele enfatizou que o orçamento de defesa dos EUA alocou US$ 75 bilhões para plataformas e drones autônomos.
O orçamento solicitado pelo Pentágono para seu Grupo de Trabalho Autônomo de Defesa, conhecido pela sigla DAWG, supostamente aumentou de US$ 225,9 milhões para US$ 54,6 bilhões neste ano.
No entanto, além de um orçamento significativo, George acredita que o militar dos EUA precisa considerar a velocidade para a realização de tais plataformas.
A Força Aérea precisa entregar essas capacidades “em semanas e meses e não anos, que é tradicionalmente como temos feito as coisas”, afirmou ele.
Fonte: www.cnbc.com