O risco-país do Brasil reduziu para 145 pontos em julho de 2025, conforme informação do JP Morgan.

O risco-país do Brasil reduziu para 145 pontos em julho de 2025, conforme informação do JP Morgan.

by Ricardo Almeida
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Oscilações na Confiança Internacional na Economia Brasileira

A confiança internacional na economia brasileira tem apresentado oscilações, especialmente em um contexto de desafios fiscais e políticos que impactam a percepção de risco no país. Em julho, em resposta à possibilidade de um novo aumento de tarifas, investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 6 bilhões da bolsa de valores brasileira, conforme dados disponíveis da B3. Esse movimento ilustra de forma clara como questões internas influenciam as decisões sobre a alocação de capital externo, formando assim o que é denominado como risco-país.

Medição do Risco-País

O risco-país é avaliado por indicadores como o EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus) e o CDS (Credit Default Swap), ambos calculados pelo JP Morgan. O EMBI+ compara os juros pagos pelos títulos da dívida de países emergentes com os do Tesouro norte-americano. Por outro lado, o CDS é uma espécie de "seguro" contra calote – quanto maior o custo do CDS, maior é a percepção de risco associada à dívida de um país. Esses índices servem como referência para bancos, fundos de investimento e agências de classificação de risco que buscam avaliar a credibilidade econômica de um país específico.

As Referências do Risco-País

Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, destaca que o risco-país é um dos principais indicadores da confiança global na economia brasileira. “O indicador reflete a probabilidade de uma nação não honrar seus compromissos financeiros externos, seja por dificuldades fiscais, turbulências políticas ou falta de previsibilidade regulatória. Quanto maior o indicador, maior o custo de financiar a dívida e menor o apetite de investidores estrangeiros por aplicar recursos no país”, explica Murta.

Análise do Risco Atual

Uma recente análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indica que o risco do Brasil subiu de aproximadamente 140 pontos em 2023 para 160 pontos no ano de 2024, conforme registrado na Carta de Conjuntura nº 65. Apesar de o Brasil possuir boas reservas internacionais e uma posição externa sólida, o estudo revela que a confiança dos investidores ainda é influenciada por incertezas fiscais e políticas que persistem no cenário econômico.

Murta menciona que esta oscilação é comum nas economias emergentes. “Os indicadores mostram que há uma melhoria pontual na percepção de risco, mas isso não elimina a volatilidade estrutural do Brasil. Nos Estados Unidos, as regras são mais previsíveis, os contratos dispõem de maior garantia judicial e a estabilidade regulatória é superior. Esses fatores contribuem para a redução do risco para aqueles que buscam segurança”, destaca o advogado.

Sinais Pontuais de Melhoria

Apesar das incertezas, existem sinais positivos de uma leve recuperação. De acordo com o JP Morgan, o Credit Default Swap do Brasil alcançou a marca de 145 pontos em julho de 2025, o menor nível do ano até aquele momento. Isso sugere uma leve melhora na percepção de segurança do mercado em relação ao Brasil.

Murta complementa que o conceito de risco-país vai além das métricas financeiras. Ele reflete também até que ponto um ambiente econômico é capaz de oferecer previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade institucional. “Ao considerar custos, impostos, desvalorização cambial e possível instabilidade política, o que pode parecer um retorno menor a princípio pode se tornar mais vantajoso a longo prazo quando se minimizam surpresas”, afirma Murta.

Importância da Diversificação Internacional

O especialista ressalta que a diversificação internacional é uma estratégia essencial para mitigar riscos. “Combinando parte dos investimentos no mercado local com ativos internacionais, é possível reduzir os riscos específicos que cada país apresenta. Essa abordagem não elimina a volatilidade, mas diminui consideravelmente a exposição e protege o patrimônio dos investidores”, conclui.

No atual cenário, a leve diminuição do CDS indica que a percepção internacional em relação ao Brasil melhorou, ainda que de forma marginal. Contudo, o país enfrenta desafios fiscais e políticos que necessidade ser encarados para que essa tendência seja mantida. Em um contexto global caracterizado por aversão ao risco, o comportamento do risco-país continua a ser um termômetro sensível em relação à atratividade dos ativos brasileiros, incluindo o Ibovespa (BOV:IBOV) e a cotação entre o Dólar Americano e o Real Brasileiro (FX:USDBRL).

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Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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