Transferência de Riqueza em Grande Escala
A maior transferência de riqueza da história moderna está em andamento, e os herdeiros que se preparam para receber trilhões de dólares em fortunas familiares estão se dispondo a utilizar esses recursos de maneira substancialmente diferente das gerações que as acumularam.
Nos próximos vinte anos, estima-se que cerca de US$ 83,5 trilhões serão transferidos de baby boomers e empreendedores mais velhos para seus filhos e netos, de acordo com um relatório da UBS.
A UBS declarou ao CNBC que “o mundo está entrando em uma transferência histórica de riqueza entre gerações.” Apenas as famílias bilionárias devem transferir aproximadamente US$ 6,9 trilhões até 2040.
Visões Diferentes sobre a Riqueza
Para muitas famílias abastadas, a primeira geração construiu fortunas em áreas concentradas que conheciam bem, como negócios familiares, propriedades ou ações locais de grandes empresas. Especialistas em riqueza afirmaram à CNBC que seus filhos tendem a ser mais educados internacionalmente, mais móveis e abertos a uma gama mais diversificada de investimentos.
“A primeira geração eram ‘construtores'”, afirmou Elizabeth Hart, CEO e fundadora da Legacy Wealth Advisors. “Sua riqueza está geralmente atrelada a uma única classe de ativos que eles compreendem profundamente, frequentemente um negócio familiar em operação ou ações de empresas consolidadas em suas localidades.”
Em contraste, os herdeiros mais jovens tendem a “ver a riqueza através de uma lente global”, disse Hart, acrescentando que estão mais abertos a investimentos diversificados em diferentes classes de ativos e mercados.
Essa mudança pode redirecionar parte da riqueza herdada para além das tradicionais formas de capital familiar, especialmente o mercado imobiliário. Hart mencionou que as famílias asiáticas, em particular, historicamente investiram “quase exclusivamente em propriedades por gerações”, mas herdeiros da segunda e terceira gerações estão se voltando cada vez mais para diversificar seus investimentos em outros ativos e geografias.
Interesse por Ativos Alternativos
Uma pesquisa da Natixis Investment Managers revelou que os millennials estão muito mais propensos do que os investidores mais velhos a buscar exposição a ativos privados, com 53% expressando interesse nesse tipo de investimento. Além disso, eles também se mostram mais inclinados a discutir criptomoedas com seus consultores financeiros; 62% já participaram dessas conversas, enquanto 44% planejam aumentar ou iniciar investimentos em criptomoedas nos próximos doze meses.
A nova geração de investidores também parece ser mais confortável com o risco. A Natixis constatou que 78% dos millennials na região da Ásia-Pacífico desejam oportunidades para superar o mercado, em comparação com apenas 38% dos baby boomers dispostos a assumir riscos para se sobressair.
O Dinheiro como Ferramenta
Tobias Prestel, fundador da Prestel & Partner, afirmou que os jovens detentores de riqueza estão cada vez mais enxergando o dinheiro menos como um objetivo em si e mais como um meio para alcançar metas. “Para a maioria das pessoas mais velhas, o dinheiro é um bem, e é bom para mais coisas; para a maioria dos mais jovens, o dinheiro é apenas uma ferramenta”, disse Prestel. “Eles buscam mais como essa ferramenta é utilizada do que aproveitar o ‘cofre de tesouros’. “
Essa mudança de mentalidade também está influenciando os hábitos de consumo. Em vez de acumular coleções de símbolos tradicionais de status, alguns herdeiros mais jovens estão priorizando experiências, mobilidade e estilos de vida internacionais. Prestel observou que os indivíduos mais jovens e ricos são menos propensos a colecionar carros e mais inclinados a possuir residências ao redor do mundo, combinando viagens com exposição global a propriedades.
O interesse por sustentabilidade e investimentos de impacto também está crescendo. A UBS descobriu que quase metade dos investidores da próxima geração já está investindo ou está ansiosa para aprender mais sobre investimentos sustentáveis e de impacto.
A transferência de riqueza também está reformulando a forma como as famílias gerenciam seus ativos. O banco constatou que os membros da próxima geração começam a ver a herança como uma transferência de responsabilidade em vez de um lucro financeiro eventual.
“Meu irmão e eu não pensamos na herança como algo que vamos receber, mas sim como nossa responsabilidade de fazer tão bom trabalho quanto nosso pai fez”, comentou um respondente para a UBS.
Riscos Associados à Transição
No entanto, essa transição não está isenta de riscos. Embora o volume significativo de riqueza que está sendo transferido provavelmente não impeça a transferência mais ampla, os consultores afirmam que os maiores riscos à preservação da riqueza muitas vezes vêm de dentro das próprias famílias.
“A fissura não é a falta de dinheiro; é a falta de comunicação”, afirmou Hart, da Legacy Wealth Advisors.
Muitos criadores de riqueza da primeira geração continuam relutantes em abrir mão do controle, especialmente na Ásia, onde as fortunas geralmente estão intimamente associadas a um patriarca ou matriarca da família. Enquanto isso, os herdeiros estão pressionando por maior transparência, planejamento sucessório e estruturas formais de governança em torno dos ativos familiares.
“Mesmo com um plano de sucessão, o maior destruidor de riqueza é a disputa familiar”, acrescentou Hart.
À medida que as fortunas avançam além de sua geração fundadora, os consultores afirmam que transferências bem-sucedidas dependem cada vez mais da preparação dos herdeiros para a administração, e não apenas da estruturação dos ativos em si.
Fonte: www.cnbc.com

