Rebaixamento do Digimais Revela Falta de Transparência, Mas Não Sugere Crise Sistêmica - Times Brasil

Rebaixamento do Digimais Revela Falta de Transparência, Mas Não Sugere Crise Sistêmica – Times Brasil

by Fernanda Lima
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O rebaixamento da classificação de risco do Banco Digimais pela Fitch gerou preocupações ao indicar uma falta de transparência e informações insuficientes sobre a instituição. Essa análise foi realizada por Roberto Luis Troster, economista e sócio da Troster & Associados.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Troster destacou que cortes na classificação de rating em instituições bancárias geralmente estão relacionados à divulgação inadequada de informações, balanços não claros ou operações que não seguem o padrão esperado pelo sistema financeiro.

“Neste caso específico, o problema diz respeito à transparência. A nota da Fitch explicitou que informações necessárias não foram divulgadas”, afirmou Troster.

Segundo o economista, falhas na comunicação de informações são frequentemente um dos principais sinais que geram preocupações para as agências de classificação de risco.

“Em 99% das situações que eu observo, a questão central é sempre a mesma: falta de informações ou informações pouco claras, além de operações que destoam das práticas tradicionalmente aceitas nos balanços financeiros”, afirmou.

Leia também: Caso Digimais deve ficar confinado, mas pode afetar a confiança em bancos de médio porte.

Rating como alerta ao investidor

Troster comentou que o rebaixamento de rating geralmente indica a possibilidade de problemas mais profundos dentro da instituição, embora isso não implique, automaticamente, uma conclusão definitiva sobre sua situação financeira.

“As agências de rating funcionam como os olhos dos investidores”, afirmou Troster.

Ele acrescentou que os investidores normalmente não têm a capacidade de analisar em profundidade todos os balanços bancários. Por essa razão, dependem de instituições especializadas que se encarregam de avaliar aspectos como risco de crédito, liquidez, governança e transparência.

“A agência de rating rebaixou a classificação um dia antes da intervenção da Polícia Federal, que bloqueou os recursos da instituição. Nesse contexto, a agência cumpriu adequadamente seu papel”, disse Troster.

Banco exige conhecimento especializado

Troster ressaltou que operar um banco requer um conhecimento técnico especializado, especialmente no que se refere à concessão de crédito e à administração da liquidez.

Ele explicou que a entrada no setor financeiro pode parecer simples à primeira vista, mas o verdadeiro desafio reside na recuperação dos recursos emprestados.

“Emprestar dinheiro é a tarefa mais simples do mundo. Todos os clientes geralmente veem isso de forma positiva. No entanto, o que realmente importa é conseguir que o dinheiro emprestado retorne”, afirmou.

O economista comentou que, embora não tenha aprofundado sua análise sobre o balanço do Digimais, casos semelhantes tendem a envolver problemas relacionados à qualidade das informações apresentadas ou à estrutura dos ativos disponíveis.

“Pode ser que haja um erro de avaliação generalizado, mas normalmente é isso que costumamos observar. Quando há fumaça, geralmente há fogo”, disse.

Sem risco sistêmico

Apesar dos recentes casos envolvendo bancos de médio porte, como o Banco Master, Will Bank e Digimais, Troster afirmou que não percebe um motivo para uma perda generalizada de confiança no sistema bancário brasileiro.

Na perspectiva dele, o Brasil possui mecanismos de proteção adequados, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já demonstrou sua eficácia em episódios anteriores de falência de instituições financeiras.

“O sistema é estável, opera de forma eficiente e não há motivos para preocupações excessivas”, afirmou.

Troster também observou que, em um sistema que conta com cerca de 150 bancos, é natural que surjam problemas pontuais. Ele destacou que a função do Banco Central e das agências de rating é precisamente identificar esses riscos e intervir para mitigar seus impactos.

Leia também: Digimais já evidenciava fragilidade em ativos e liquidez antes do rebaixamento.

Supervisão do sistema financeiro

O economista sugeriu que há espaço para melhorias na supervisão do sistema financeiro. Ele argumentou que o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as agências de rating deveriam ser submetidos a auditorias externas e avaliações periódicas.

“Há um ditado que diz: quem avalia os avaliadores?”, questionou Troster.

Ele enfatizou que as instituições reguladoras e classificadoras precisam ser avaliadas por órgãos externos para evitar a complacência e acompanhar as rápidas mudanças que ocorrem no mercado financeiro.

De acordo com Troster, uma possível alternativa seria discutir reformas estruturais, como a criação de um comitê de política monetária mais independente do Banco Central, a fusão entre o Banco Central e a CVM para supervisão e a fundação de uma entidade focada na proteção dos pequenos depositantes.

“O sistema está em constante evolução. Muitas vezes, as pessoas se acomodam e acabam não percebendo essas mudanças”, disse.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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