Tenda (TEND3): Valuation Atrativo e Perspectivas
A Tenda (TEND3) apresenta um valuation atrativo, com as ações sendo negociadas a um múltiplo preço/lucro (P/L) de 5,4 vezes. Este valor está significativamente abaixo de empresas concorrentes, como Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), que operam em torno de 8,5 vezes, de acordo com a avaliação do Bradesco BBI.
Análise Operacional
Em um relatório recente, os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço ressaltaram que a construtora mantém uma trajetória operacional positiva. Este desempenho é respaldado por uma forte execução, geração de caixa consistente e suporte de fatores regulatórios.
A percepção positiva foi reforçada após o evento Investor Day, realizado pela companhia com investidores e a alta administração, na última sexta-feira (12). Durante o encontro, a Tenda reafirmou sua visão construtiva sobre seu negócio principal, ao mesmo tempo em que reconheceu os desafios enfrentados pela Alea, sua divisão focada em unidades pré-fabricadas.
Projeções Financeiras
Para 2026, a empresa espera um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre R$ 950 milhões e R$ 1,05 bilhão no segmento tradicional. No que diz respeito à Alea, a expectativa é de um Ebitda negativo variando de R$ 70 milhões a R$ 50 milhões.
No consolidado, a previsão é de um lucro líquido entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões para os próximos 12 meses, um número cerca de 14% abaixo da projeção do Bradesco BBI. Apesar disso, o banco acredita que as margens continuarão sustentadas por fatores regulatórios, como a Reforma Tributária e os programas de subsídio, como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que beneficiam o mercado de habitação popular.
Exposição ao MCMV
Conforme a análise do BBI, a construtora planeja direcionar 30% de seus lançamentos futuros ao segmento de habitação popular, mantendo a liderança no segmento de faixa 1, que engloba famílias com renda mensal de até R$ 2.850,00, onde detém 50% de participação de mercado, com preços 23% inferiores aos de seus concorrentes.
Reforço do Bank of America
Recentemente, a Tenda recebeu uma atualização positiva da análise do Bank of America (BofA), que aumentou a recomendação da ação de underperform (equivalente a venda) para compra, designando a companhia como sua principal escolha no setor de construção. Segundo o banco norte-americano, as ações da empresa estão sendo negociadas a um desconto excessivo em relação aos concorrentes, resultando em um perfil de risco-retorno mais atrativo.
Os analistas apontam que o sólido desempenho operacional da construtora deve compensar, no curto prazo, os impactos negativos provenientes da Alea. Além disso, destacam a geração de caixa consistente, a contínua desalavancagem e a expansão do lucro como fatores que sustentam a tese de investimento.
De acordo com o BofA, as ações da Tenda (TEND3) estão sendo negociadas a aproximadamente 4 vezes o lucro estimado para 2027, um índice inferior à média de 6,5 vezes do setor.
Perspectivas de Desalavancagem
Em um relatório adicional, o analista Rafael Rehder, do Safra, também destacou que o core business da Tenda permanece no caminho certo, com uma aceleração na trajetória de desalavancagem e uma perspectiva de melhora nos lucros, com um Return on Equity (ROE) projetado de 39% para 2026.
Embora o guidance para o próximo ano tenha decepcionado algumas expectativas de consenso, o analista considera que essa projeção reflete premissas mais conservadoras. O banco mantém sua recomendação de compra para a construtora, destacando que o P/L estimado de 5,4 vezes para 2026 é o mais baixo dentro do seu universo de cobertura.
Considerações Finais
A trajetória da Tenda e suas perspectivas são influenciadas por um conjunto de fatores, incluindo a situação do mercado regulatório e as peculiaridades internas de suas operações. A presença de uma linha de produtos voltados ao MCMV e a adoção de estratégias de desalavancagem poderão impactar diretamente sua atuação no setor.
Fonte: www.moneytimes.com.br


