Impacto da Longevidade do Consumidor Americano na Economia
A longevidade do consumidor americano como alicerce para a economia pode ser testada nas próximas semanas. Os orçamentos familiares, especialmente entre aqueles de menor renda, enfrentam pressão devido ao aumento dos custos de saúde, à possível perda de benefícios federais de alimentação e a uma perspectiva instável do mercado de trabalho, que já começa a influenciar os ganhos.
Temporada de Compras e Viagens
Tradicionalmente, novembro marca o início de uma animada temporada de compras e viagens, com o feriado de Ação de Graças no final do mês e as celebrações de Natal em dezembro. Este ano, entretanto, coincide com a possível perda de benefícios alimentares para muitas famílias, em meio à paralisação contínua do governo dos EUA e ao aumento dos custos de saúde. Isso se agrava com a possibilidade de cortes nos subsídios federais referentes à Lei de Cuidados Acessíveis.
Desafios Econômicos
A situação é ainda mais complicada pela perda de gastos de centenas de milhares de trabalhadores federais em licença, um número crescente de demissões anunciadas por grandes empresas, o aumento dos preços e uma recente queda na confiança do consumidor. Dessa forma, a resistência dos consumidores americanos pode ser substancialmente testada. Joseph Brusuelas, economista-chefe da RSM US, comentou que, apesar de a economia ser uma entidade dinâmica de US$ 30 trilhões, ela enfrentará um teste significativo na transição para o novo ano.
Brusuelas também alertou sobre os "choques adversos de políticas" vindos de Washington, junto com uma mudança no comportamento das empresas frente à mão de obra, que poderá resultar em um aumento na taxa de desemprego.
Cenário Atual
Os próximos desafios nos orçamentos familiares ocorrerão em um contexto de desemprego ainda baixo e gastos do consumidor que, pelo menos até agosto, cresciam a uma taxa anual de 2,7%. Embora esse crescimento seja mais lento do que no ano anterior, ainda reflete uma expansão.
Em um momento crítico, as autoridades do Federal Reserve e de outras instituições não terão um panorama atualizado da economia, já que a paralisação não apenas interrompe os benefícios, mas também afeta o fluxo de dados econômico. O financiamento dos benefícios do Programa de Assistência Nutricional Suplementar, que atende cerca de 42 milhões de pessoas de baixa renda, deve terminar em 1º de novembro devido à paralisação, que já dura dois meses.
Decisão Judicial e Seus Efeitos
Um juiz federal em Rhode Island decidiu que a suspensão dos benefícios era ilegal, gerando incertezas sobre a possibilidade de pagamento ainda neste mês. A perda desses benefícios "imporia dificuldades significativas a muitas famílias, mas o impacto sobre os gastos gerais dos consumidores e o PIB provavelmente será relativamente pequeno", afirmou Samuel Tombs, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics.
Estima-se que essa perda pode significar um impacto de cerca de US$ 100 bilhões por ano, embora seja apenas um canal pelo qual a paralisação possa pesar sobre a atividade econômica. Com a ausência desses benefícios, pelo menos uma dúzia de estados planeja preencher parte da lacuna, mas os valores oferecidos são apenas uma fração do que o programa proporciona mensalmente.
Cenário Econômico e Recessão
Economistas não visualizam a economia entrando em recessão como resultado das crescentes pressões sobre os consumidores. Brusuelas previu que a paralisação poderia reduzir o crescimento do quarto trimestre em um ponto percentual, caindo para 1%. A atual paralisação tem potencial para afetar os orçamentos familiares especialmente antes da temporada de compras. Contudo, forças compensatórias, como cortes de impostos e isenções em pagamentos adicionais e de gorjetas, podem aumentar as restituições familiares no próximo ano.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, mencionou que no primeiro trimestre do ano os trabalhadores americanos poderão ver restituições significativas, o que permitirá a alguns contribuintes manter uma maior parte de seus pagamentos semanais.
Incertezas e Vigilância do Federal Reserve
Ainda não está claro como todos esses fatores se desenrolarão. Os dados serão observados cuidadosamente pelas autoridades do Fed, que se esforçam para entender se a economia desacelerará e o desemprego aumentará, ou se haverá uma aceleração à medida que as empresas e famílias se ajustarem às recentes mudanças nas políticas comerciais e de imigração.
Jerome Powell, presidente do Fed, indicou que, apesar da queda nas taxas de juros, os gastos dos consumidores têm "desafiado muitas previsões negativas" e contribuído para a sustentação do crescimento econômico. Contudo, ele também apontou que o padrão bifurcado na economia — onde famílias de renda mais alta se beneficiam enquanto outras enfrentam dificuldades — está se intensificando.
Desafios para o Futuro
Além das dificuldades na assistência alimentar, os orçamentos familiares poderão sofrer um novo golpe com o aumento dos prêmios dos planos de saúde vinculados ao Obamacare. A expiração, no próximo ano, dos créditos fiscais que financiam esses seguros é uma questão central no impasse orçamentário entre o governo e o Congresso.
A Kaiser Family Foundation estima que a perda de créditos fiscais poderá custar a mais de 20 milhões de segurados sob o Obamacare mais de US$ 1.000 por ano em média, e comprometendo ainda mais a situação financeira das famílias.
Uma pesquisa do JPMorgan Chase Institute revelou que a renda ajustada pela inflação de indivíduos com idade entre 25 e 54 anos teve uma queda significativa, diminuindo de 3% ao ano para 2%. Esta tendência alarmante é refletida na previsão de gastos desta população durante as festas de fim de ano.
Consumidores e Preparativos para o Natal
Economistas estão preocupados com a disposição de gastos dos consumidores, especialmente com a aproximação das festas de fim de ano. Pesquisas recentes mostram que as pessoas planejam gastar menos durante a temporada de compras natalinas, e a fiscalização mais rigorosa na imigração pode resultar em menos consumidores no mercado.
Jackie Doherty, editora colaboradora do Yardeni, destacou que haverá literal e concretamente menos pessoas comprando nos Estados Unidos nessa temporada de festas, e aquelas que ainda estão dispostas a gastar indicam que planejam fazê-lo de uma forma mais contida.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


