PT tentará manter os preços da Petrobras (PETR4) sob controle, afirma Adriano Pires

PT tentará manter os preços da Petrobras (PETR4) sob controle, afirma Adriano Pires

by Ricardo Almeida
0 comentários

Conflito e Impactos no Mercado de Petróleo

Quatro anos atrás, o mundo atravessava um período de tensão com o início da Guerra da Ucrânia, quando a Rússia invadiu seu antigo território da União Soviética. Naquele momento, o preço do petróleo superou rapidamente a marca de US$ 100, provocando um choque inflacionário e levando os bancos centrais, que mantinham os juros baixos em função da pandemia da Covid-19, a intervir.

As repercussões do conflito afetaram inclusive as eleições presidenciais de 2022. Com a política de preços da Petrobras ainda em vigor, a companhia aumentou os preços, resultando em gasolina que chegou a custar R$ 8 o litro. Para controlar esses valores, o então presidente Jair Bolsonaro foi forçado a adotar diversos mecanismos, entre os quais a redução de impostos.

No entanto, a situação já era complicada. O aumento nos preços atingiu especialmente motoristas de aplicativo e caminhoneiros. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se a “abrasileirar” os preços, o que de fato ocorreu em 2023. Agora, em 2026, um ano também eleitoral, a Petrobras enfrenta um cenário que pode pressionar os preços. Contudo, a empresa possui ferramentas que permitem, ao menos, adiar as altas até que o cenário se estabilize.

Perspectiva de Adriano Pires

Adriano Pires, sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), considera que a Petrobras se encontra em uma posição mais favorável do que no passado, uma vez que é uma exportadora significativa de petróleo e opera com custos de extração bastante competitivos no pré-sal. Com o petróleo caro, é esperado um aumento de receita e geração de caixa para a empresa, o que explica o comportamento positivo das ações de companhias como ExxonMobil, Shell, Prio (PRIO3) e Brava Energia (BRAV3) em relação à commodity. “A diferença agora é o risco político”, declarou em entrevista ao Money Times.

Ainda assim, Pires assinala que se a estatal começar a não repassar completamente os aumentos dos preços internacionais para a gasolina e o diesel, haverá um aumento no spread em relação às empresas concorrentes. Isso significa que a Petrobras poderá deixar de capturar parte dos lucros, resultando em ganhos inferiores às suas contrapartes. “Se considerarmos a tradição do PT em relação à Petrobras, o governo deve intervir nos preços e não permitirá que fiquem muito altos”, comenta.

Um problema emergente, segundo ele, seria o surgimento de uma defasagem significativa nos preços internos. Uma vez que o Brasil ainda depende da importação de diesel e gasolina, os importadores privados poderiam parar de trazer o produto caso não haja paridade de preço. “Isso pode gerar uma situação de desabastecimento”, afirma Pires. Nesse cenário, a Petrobras poderia ser forçada a importar a um custo elevado e vender a preços mais baixos no mercado interno, resultando em prejuízos reais.

Conforme reportado pela Reuters, a Petrobras está monitorando de perto os desdobramentos do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. A empresa prevê uma semana de observação em relação ao mercado de petróleo. Além disso, a estatal está atenta aos impactos da guerra nas instalações de produção de petróleo e combustíveis, assim como nos gargalos logísticos gerados pelo conflito.

Petróleo a US$ 100?

Com a intensificação do conflito no Oriente Médio, após os ataques dos EUA e Israel ao Irã, que resultaram na morte de membros de alto escalão, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, parte da infraestrutura de gás e petróleo da Arábia Saudita ficou gravemente danificada.

Mais grave ainda, o Irã anunciou que fechou o Estreito de Ormuz, que responde por 20% da produção mundial de petróleo, e alertou que incinerará qualquer navio que tentar atravessar a área. O presidente Donald Trump já declarou que não há previsão para o fim da guerra.

Apesar das tensões, Pires expressa um otimismo cauteloso. “É evidente que o preço do petróleo está subindo e tudo dependerá da duração e intensidade do conflito. No entanto, do ponto de vista estrutural, o mercado atual é diferente de outros episódios de crise que enfrentamos”, enfatiza.

Ele observa que, atualmente, a oferta global de petróleo e gás está aumentando a um ritmo superior ao da demanda, e que essa alta provém majoritariamente de países fora da Opep, como Brasil, Guiana e Estados Unidos. “Isso atua como um fator de amortecimento”, acrescenta.

Se o conflito se prolongar por duas semanas, Pires projeta que o barril pode oscilar em torno de US$ 80. Caso dure cinco semanas, o preço pode chegar a US$ 100. Em situações de prolongamento significativo com interrupções substanciais na oferta, prevê-se que chegue até US$ 120, conforme prevem algumas instituições financeiras, como o JPMorgan.

Por fim, Pires destaca que a diferença da situação atual em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia é pertinente. Naquele contexto, enfrentávamos a combinação de oferta crescendo a um ritmo inferior à demanda e a participação de um grande produtor no conflito. Agora, o enfoque é primordialmente geopolítico e não há um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda.

No mercado, o petróleo WTI para abril teve uma alta de 6,28%, fechando a US$ 71,23 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex). O Brent para maio também subiu, com um aumento de 6,68%, chegando a US$ 77,74 o barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Adicionalmente, Pires ressalta que um aspecto menos discutido é o gás natural. O Catar, um dos maiores exportadores globais de gás natural liquefeito (GNL), interrompeu parte de sua produção. Na Europa, o preço do gás já cresceu cerca de 50%. “Hoje, o gás é essencial em diversas áreas, como geração de energia elétrica, uso residencial e na indústria. Portanto, constitui um fator inflacionário significativo”, conclui.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy