Bloqueio de Valores Ligados à Genial Investimentos
A Secretaria da Fazenda de São Paulo determinou, no início de maio de 2026, o bloqueio de R$ 176 milhões relacionados à Genial Investimentos. Essa ação faz parte da investigação da Operação Carbono Oculto.
Ação Cautelar Fiscal
A medida foi adotada como parte de uma ação cautelar fiscal que investiga a suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, envolvendo empresas do setor de combustíveis e possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital. O bloqueio se segue a movimentações financeiras tidas como atípicas e é uma tentativa do Estado de recuperar bilhões em tributos.
Estrutura Financeira no Centro da Apuração
A investigação revela uma complexa engrenagem financeira que interconecta a Genial Investimentos, a Reag Investimentos e o Banco Master. Segundo os dados coletados no processo, os empresários sob investigação começaram a operar com a Genial após romperem seus laços com a Reag, que anteriormente geria os recursos do grupo.
A partir da segunda metade de 2024, a Genial Investimentos iniciou uma colaboração com os empresários Primo e Beto Louco, após uma separação deles de João Carlos Mansur, o proprietário da Reag. Até então, a Reag era a gestora predominante utilizada pelos responsáveis pela Copape e pela Áster, tanto para realizar pagamentos de investimentos quanto para ocultar recursos provenientes de evasão fiscal.
Migração de Clientes e Recursos
Essa migração de gestão não ocorreu de forma isolada. Juntamente com os clientes, havia a transferência de um fundo estruturado, um FIDC avaliado em aproximadamente R$ 500 milhões, vinculado a créditos consignados originados no Banco Master. Essa movimentação representa um elo entre as três instituições, com o Banco Master aparecendo como fonte dos ativos financeiros.
A Reag atuava como a gestora anterior desses recursos, enquanto a Genial assumiu o papel de nova administradora e estruturadora das operações.
Dinâmica de Circulação de Recursos
As autoridades descrevem uma dinâmica financeira que sugere um circuito fechado de recursos. Uma empresa associada ao grupo investigado investiu R$ 176 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela Genial, utilizando um fundo. Em seguida, esses valores foram empregados como garantia para a concessão de crédito pelo mesmo banco.
O capital retornava ao grupo por meio de operações de crédito estruturado, que possibilitavam a aquisição de ativos como imóveis e participações em fundos. Esses bens, posteriormente, eram alienados ao banco, formalizando a garantia da operação.
Suspeitas de Reciclagem de Recursos
A suspeita é que os próprios recursos do grupo tenham sido reciclados dentro do sistema financeiro para a aquisição de patrimônio, criando uma estrutura que pode caracterizar a ocultação de origem e a proteção patrimonial.
O Papel da Reag na Transição
A Reag Investimentos desempenhou um papel crucial na fase anterior das operações. Ela era a gestora que administrava os fundos utilizados pelos empresários investigados até o rompimento das relações. Após esse desentendimento, os ativos foram redirecionados, com fundos anteriormente sob a gestão da Reag passando por mudanças de administração e sendo reestruturados dentro de um novo sistema que inclui a Genial e outras instituições. Essa transição é considerada pelos investigadores um momento-chave para compreender a reestruturação financeira do grupo.
Banco Master como Origem dos Ativos
O Banco Master surge na investigação como a origem dos créditos que sustentavam parte significativa das operações. Os ativos de crédito consignado vinculados ao banco foram empregados na estrutura de fundos que circularam entre as gestoras e a Genial. Apesar de não ser considerado um alvo direto da investigação, o banco é um elo inicial na cadeia financeira que foi, posteriormente, reorganizada.
Tentativa de Reversão e Bloqueio
Durante o curso da operação, houve uma tentativa de reverter as transações pouco antes da implementação das medidas judiciais. Essa manobra foi interpretada pelas autoridades como uma tentativa de evitar o bloqueio, sendo classificada como irregular. Como resultado, a Justiça confirmou a restrição sobre os valores, e os recursos apresentados pela instituição não tiveram sucesso até o momento.
O que Dizem as Investigações
A Operação Carbono Oculto é considerada uma das maiores operações já realizadas no Brasil contra o crime organizado. As investigações indicam que estruturas financeiras sofisticadas foram utilizadas para movimentar bilhões de reais, longe dos mecanismos tradicionais de controle. Entre os pontos investigados, destacam-se o uso de fundos de investimento, operações de crédito estruturado e a aquisição de ativos reais como formas de ocultar patrimônio.
Banco Nega Irregularidades e Colabora com Autoridades
Em uma declaração ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o Banco Genial enfatizou que suas operações estão realizadas em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, seguindo elevados padrões de governança, transparência e controles internos. No comunicado, o banco esclareceu que as medidas judiciais mencionadas se referem a um processo em andamento envolvendo um fundo sob sua administração, ressaltando que toda atuação como administradora fiduciária foi conduzida de acordo com as regulamentações aplicáveis e os devidos deveres da função.
Referente à Operação Carbono Oculto, o Genial frisou que não está sendo investigado e que tem colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento da situação. Fundado há cerca de 20 anos, o grupo conta com mais de 2 milhões de clientes e R$ 280 bilhões em ativos sob custódia.
Fonte: timesbrasil.com.br


