Carro zero-quilômetro: Planejamento financeiro é essencial
Possuir um carro novo na garagem é um desejo comum entre muitos brasileiros. Entretanto, diante dos preços atuais, transformar essa aspiração em realidade sem enfrentar as complicações dos juros altos associados ao financiamento requer mais do que simples vontade; é necessária uma estratégia bem elaborada.
No contexto de um crédito com elevados custos, o planejamento financeiro se destaca como a forma mais eficaz para aqueles que podem esperar mais tempo para experimentar a sensação de adquirir um “carro novo”, sem prejudicar o orçamento no longo prazo.
Fiat Strada: exemplo de investimento
Para exemplificar essa abordagem, tomamos como referência o modelo mais vendido do mercado nacional: a Fiat Strada. De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a Fiat Strada foi o veículo que mais recebeu emplacamentos em 2025. A versão “Freedom”, que possui quatro portas, tem um preço inicial de R$ 129.990, o que a torna um bom parâmetro para quem busca um veículo versátil e com boa valorização.
Análise financeira: acumular ou financiar?
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirma que, em muitos casos, financeiramente é mais vantajoso acumular recursos e pagar o carro à vista do que recorrer ao financiamento. Segundo Lima, no Brasil, as taxas de financiamento de veículos frequentemente ficam bem acima das taxas de retorno observadas em aplicações conservadoras de renda fixa.
Ele ressalta que, quando as taxas de financiamento são significativamente superiores ao rendimento esperado dos investimentos, é mais prudente acumular o capital antes de fazer a aquisição. O especialista também destaca que, no país, o crédito automotivo comumente opera em níveis muito maiores do que o rendimento de aplicações financeiras, considerando ainda os custos adicionais que podem estar associados, como tarifas, seguros e impostos embutidos no financiamento.
Simulações de investimento: quanto é necessário guardar mensalmente
Lima realizou simulações que detalham quanto é preciso investir mensalmente para alcançar o valor do carro desejado, levando em consideração diferentes modalidades de aplicação. As projeções foram baseadas na rentabilidade média dos últimos 12 meses dos investimentos. É importante mencionar que essa rentabilidade acompanha as flutuações da taxa básica de juros, a Selic, que começou a apresentar uma queda desde a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), atualmente fixada em 14,75%. Portanto, o rendimento pode variar no futuro.
Valores necessários para diferentes aplicações
Os valores mensais requeridos para diferentes tipos de investimento são:
- CDB 100% do CDI ou Tesouro Selic: R$ 4.738,48
- CDB 100% do CDI ou Tesouro Selic: R$ 2.939,53
- Tesouro Pré-fixado 2029: R$ 2.962,87
Funcionamento dos investimentos
O CDB atrelado a 100% do CDI funciona como um empréstimo que o investidor concede ao banco, recebendo em troca uma remuneração. A taxa CDI acompanha de forma muito próxima a Selic, o que implica que o capital investido cresce na mesma proporção dos juros oficiais do país. Essa é uma alternativa extremamente segura e previsível para aplicações de curto prazo, contanto ainda com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para montantes de até R$ 250 mil por CPF.
Existem opções de CDB com liquidez apenas na data de vencimento (ou seja, sem possibilidade de resgate antecipado) e outras que permitem liquidez diária, possibilitando ao investidor retirar o dinheiro a qualquer momento.
Por outro lado, o Tesouro Direto Prefixado oferece uma característica distinta: a taxa de juros é definida no ato da compra. Isso significa que o investidor sabe exatamente quanto receberá no vencimento do título, independentemente das oscilações econômicas. Contudo, é essencial ter disciplina para evitar o resgate antecipado, o que pode resultar na perda dos rendimentos acumulados até aquele momento.
Escolhendo o investimento apropriado
De acordo com Lima, todas as aplicações mencionadas possuem características favoráveis para um objetivo de curto prazo, como este de adquirir um carro: previsibilidade, baixo risco e compatibilidade com o cenário atual das taxas de juros no Brasil. Nos CDBs e títulos do Tesouro, o retorno será o que foi acordado no momento do investimento.
Independentemente da escolha do tipo de investimento, é fundamental que o investidor cuide de sua saúde financeira antes de iniciar o processo de poupança para a aquisição do veículo. Saldar dívidas e estabelecer uma reserva de emergência que cubra o custo de vida por um período de três a cinco meses é essencial. Segundo Lima, isso evita que o investidor precise resgatar os fundos destinados ao objetivo em caso de imprevistos.
Além disso, é importante verificar se há um orçamento disponível para investir mensalmente. Caso a quantia sugerida nas simulações não esteja ao alcance, é viável economizar um valor menor e alcançar a meta mais adiante.
Por fim, Lima recomenda que o objetivo de compra do veículo seja transformado em um plano financeiro bem estruturado, com valores mensais definidos e disciplina nos aportes. Com um bom planejamento e comprometimento, é possível alcançar objetivos de consumo significativos sem precisar recorrer a créditos que apresentem altos custos.
Texto originalmente publicado em uma parceria com B3 Bora Investir.
Fonte: borainvestir.b3.com.br


