Desempenho das Ações da Raízen
As ações da Raízen (RAIZ4) apresentaram uma queda de 1,14% nesta sexta-feira, dia 10 de outubro, encerrando o dia a R$ 0,87. No acumulado do ano de 2025, o preço dos papéis já registra uma perda significativa de 59,15%.
Queda nos Títulos de Dívida
Conforme informações do Broadcast, os títulos de dívida emitidos no exterior, conhecidos como bonds, recuaram a níveis que despertam atenção entre os investidores. Esse movimento é atribuído a uma percepção crescente de que a empresa está consumindo seus recursos financeiros de forma acelerada. Ademais, a expectativa é de que o investimento de R$ 10 bilhões realizado na Cosan (CSAN3) possa não ser suficiente para estabilizar a situação financeira da Raízen.
De acordo com reportagens do Valor, pelo menos um grande investidor decidiu desfazer sua posição em títulos de dívida externa da Raízen, refletindo uma crescente aversão ao risco por parte do mercado.
Efeitos do Mercado de Crédito
Ainda segundo especialistas, a aversão ao risco nos papéis da Raízen é uma resposta aos problemas enfrentados pela Braskem (BRKM5), que têm pressionado o preço de seus bonds. A possibilidade da Ambipar (AMBP3) solicitar recuperação judicial também tem gerado um impacto negativo no mercado de crédito.
Um operador do mercado comentou: “A máxima ‘too big to fail’ talvez não seja mais verdadeira”, enfatizando a crescente desconfiança dos investidores.
Desvalorização dos Papéis de Raízen
Fontes do mercado informam que o título com vencimento em 2054 da Raízen experimentou uma queda de 20% em relação ao fechamento do dia anterior e de 30% em comparação ao fechamento da quarta-feira, sendo negociado a 62,875% do valor de face. Nesse nível de negociação, o retorno oferecido ao investidor supera 11%, uma taxa que geralmente é associada a bonds classificados na categoria distress, ou seja, que apresentam riscos de calote.
Situação Financeira e Alocação de Recursos
O CFO da Cosan mencionou, durante uma coletiva de imprensa para anunciar o aporte realizado na holding, que os recursos provenientes dessa transação serão integralmente alocados para fortalecer a estrutura de capital da Cosan e não serão direcionados para a capitalização da Raízen. Contudo, o mercado permanece cético, especulando que numa situação de queima acelerada de caixa e uma estrutura de dívida elevadamente alavancada, a empresa-mãe possa eventualmente precisar injetar alguma liquidez na Raízen.
Comunicado Oficial da Raízen
Em comunicado adicional divulgado após o fechamento do mercado, a Raízen afirmou manter uma posição robusta de caixa, reportando R$ 15,7 bilhões em disponibilidades ao final do primeiro trimestre de 2026. Além disso, a empresa conta com R$ 5,5 bilhões (equivalente a aproximadamente US$ 1 bilhão) em linhas de crédito rotativo (RCF) disponíveis, confirmando que continua a executar sua estratégia de gestão financeira focada na otimização do perfil de endividamento e da estrutura de capital.
Com informações do Broadcast e Valor.
Fonte: www.moneytimes.com.br


