A Adobe (NASDAQ:ADBE) anunciou na quinta-feira resultados do segundo trimestre que superaram as expectativas do mercado, tanto em termos de receita quanto de lucro, além de aumentar sua previsão para o ano completo. No entanto, as ações da empresa apresentaram queda no pré-mercado devido à análise dos investidores, que focaram nas projeções constantes de receita recorrente anual e em mais uma mudança na alta administração.
As ações da Adobe recuaram cerca de 5% antes da abertura do mercado na sexta-feira, apesar dos resultados positivos apresentados. A companhia também é negociada na B3 através da BDR (BOV:ADBE34).
O crescimento da receita com IA continua a acelerar
A Adobe tem investido de maneira agressiva na integração de inteligência artificial em sua linha de produtos, incluindo o Adobe Firefly, que é sua plataforma de IA generativa voltada para a criação de imagens, vídeos, áudio e vetores.
Com sede em San Jose, Califórnia, a empresa continua a ser amplamente reconhecida por seus produtos icônicos, como o Photoshop e o Premiere Pro, enquanto se estabelece cada vez mais como um dos principais protagonistas no setor de software de IA, que está em rápida evolução.
Lucros e receitas superam as previsões dos analistas
No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, a Adobe registrou um lucro ajustado de US$ 5,96 por ação, com uma receita de US$ 6,62 bilhões.
Os analistas haviam previsto um lucro por ação de US$ 5,82 e uma receita de US$ 6,46 bilhões.
Ao desconsiderar as contribuições da plataforma de marketing digital Semrush, adquirida pela Adobe no início deste ano, a receita cresceu 12% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
As obrigações de desempenho restantes totalizaram US$ 22,27 bilhões ao final do trimestre, em contraste com os US$ 22,22 bilhões registrados no fim do primeiro trimestre.
A receita recorrente anual totalizou US$ 27,10 bilhões, subindo em relação aos US$ 26,06 bilhões no trimestre anterior.
A saída do diretor financeiro agrava as mudanças na liderança
Apesar do desempenho financeiro positivo, os investidores reagiram de forma negativa à notícia de que o diretor financeiro, Dan Durn, deixará a empresa em 15 de junho para buscar novas oportunidades profissionais.
O cargo de diretor financeiro interino será ocupado por Steve Day, que é vice-presidente sênior de finanças corporativas da Adobe.
Esse anúncio marca o segundo trimestre consecutivo em que a Adobe divulga uma mudança significativa em sua equipe executiva. Em março, foi comunicado que o CEO Shantanu Narayen deixaria o cargo, após ter conduzido a empresa desde o ano de 2007.
Durante sua liderança, Narayen supervisionou a transformação da Adobe em um modelo de negócios de software por assinatura baseado em nuvem, uma estratégia considerada uma das mais importantes na história recente da companhia.
Previsão para o terceiro trimestre supera expectativas
A Adobe também divulgou suas projeções para o terceiro trimestre, que superaram as estimativas do mercado.
A empresa espera um lucro ajustado entre US$ 6,05 e US$ 6,10 por ação, com uma receita variando de US$ 6,67 bilhões a US$ 6,72 bilhões.
Em comparação, as previsões de Wall Street indicavam lucros de US$ 5,77 por ação e uma receita de US$ 6,51 bilhões.
Metas para o ano inteiro foram aumentadas
A administração da Adobe revisou suas previsões para o ano fiscal completo, estimando lucros ajustados entre US$ 24,35 e US$ 24,45 por ação, com uma receita projetada entre US$ 26,50 bilhões e US$ 26,60 bilhões.
A previsão revisada sugere um crescimento anual da receita de 11,7%, aproximadamente 10,5% ao desconsiderar a contribuição estimada de US$ 280 milhões proveniente da Semrush.
Antes, os analistas haviam previsto um lucro por ação de US$ 23,56 e uma receita de US$ 26,09 bilhões.
A projeção de receita recorrente anual (ARR) torna-se a principal preocupação dos investidores
Desconsiderando a perspectiva mais otimista de lucros, a Adobe manteve suas expectativas de crescimento anual da receita recorrente em 10,2% para o ano inteiro.
Os investidores mostraram-se apreensivos com a manutenção dessa previsão, mesmo após a inclusão de cerca de US$ 480 milhões em receita recorrente anual (ARR) originada da Semrush.
Analistas do Morgan Stanley afirmaram que essa decisão efetivamente diminuiu as expectativas de crescimento da receita recorrente para o segundo semestre do ano.
“Apesar de os sinais de demanda por IA da Adobe serem positivos, os resultados do segundo trimestre mostraram uma significativa reavaliação da receita recorrente, impulsionada por uma mudança mais intensa para o modelo freemium e o subsequente adiamento do aumento de preço do Creative Cloud. Com as alterações na liderança trazendo incertezas adicionais, prevemos que as ações permanecerão em um intervalo de negociação estável no curto prazo”, afirmaram.
Analistas questionam o impacto da nova estratégia de crescimento
Analistas do Barclays expressaram preocupações semelhantes, focando nas implicações da estratégia de aquisição de clientes da Adobe, em constante evolução.
“A principal conclusão do segundo trimestre é que a receita recorrente anual orgânica (ARR) para o ano fiscal de 2026 está prevista em baixa em cerca de US$ 480 milhões, sendo que metade desse valor se deve ao adiamento de ajustes de preços e a outra metade à adoção de uma estratégia freemium mais abrangente”, comentaram.
Eles acrescentaram que “essa nova abordagem é uma resposta ao aumento do tráfego em adobe.com, mas investidores mais pessimistas se perguntarão se é uma medida reativa ou proativa; além disso, pode ser complicado prever um crescimento de dois dígitos no próximo ano até que possamos observar os resultados dessa mudança.”
A competição em IA continua sendo um foco chave do mercado
Os resultados financeiros da Adobe são divulgados em um contexto onde investidores continuam a discutir como a inteligência artificial irá reformular a indústria de software.
Alguns analistas sustentam que ferramentas de design baseadas em IA, desenvolvidas por novos concorrentes, como a Anthropic, podem representar uma ameaça a partes do modelo de negócios tradicional da Adobe.
Como resposta, empresas de software em toda a indústria têm acelerado seus esforços para desenvolver sistemas de IA e incorporar funcionalidades avançadas de IA em seus produtos.
A Adobe se posiciona entre as empresas que visam aproveitar a crescente demanda por sistemas de IA com agentes capazes de desempenhar tarefas complexas que vão além da simples geração de texto e interações baseadas em comandos.
Apesar dos resultados mais recentes da Adobe sugerindo um forte desempenho operacional e uma maior adoção de IA, a atenção dos investidores permanece voltada para se essas tendências resultarão em um crescimento mais acelerado da receita recorrente nos próximos trimestres.
Fonte: br.-.com

