Renda Domiciliar e Inadimplência
Importância da Renda Domiciliar
A renda domiciliar pode contribuir para a avaliação de crédito e está associada a uma diminuição de até 31% no índice de inadimplência. Essa informação foi divulgada em um estudo realizado pela Serasa Experian nesta terça-feira, 27.
Insights do Estudo
O levantamento indica que consumidores que residem em domicílios com maior renda apresentam uma probabilidade reduzida de atrasar pagamentos. Essa tendência é especialmente observada entre idosos, jovens e pessoas de baixa renda.
Os dados revelam que, entre os consumidores com 60 anos ou mais, a taxa de inadimplência diminui de 9,4% para 6,5% quando eles vivem em residências com renda superior a cinco salários mínimos, o que representa uma redução aproximada de 31%. Para jovens com até 25 anos, essa taxa também apresenta uma queda, passando de 15,9% para 12,1% nas mesmas condições de renda domiciliária, correspondendo a uma diminuição de 24%.
Comportamento por Faixa Etária
Eduardo Mônaco, vice-presidente de Crédito e Software Solutions da Serasa Experian, ressalta que a diferença entre as faixas etárias é atribuída aos comportamentos financeiros distintos de cada grupo.
“Entre consumidores mais velhos, o comportamento financeiro tende a ser mais previsível e estável, o que faz com que as informações adicionais sobre o domicílio contribuam de forma ainda mais relevante para a leitura de risco,” afirmou Mônaco em entrevista à CNN Money.
No que diz respeito aos jovens, o especialista destaca que fatores como o início da vida financeira, um histórico de crédito limitado e uma eventual maior instabilidade na renda influenciam de maneira significativa o comportamento de inadimplência.
Definição de Inadimplência
A pesquisa considera inadimplentes os consumidores que possuem atrasos superiores a 60 dias após a concessão de crédito. No panorama geral, o índice de inadimplência passa de 11,4% para 8,1% quando se compara domicílios de renda mais baixa com aqueles de maior renda, o que representa uma redução de aproximadamente 29%.
Entre consumidores com renda individual de até dois salários mínimos, a taxa de inadimplência diminui de 13% para 10,8% quando essas pessoas residem em domicílios com maior renda, resultando em uma redução aproximada de 17%.
Complementação da Renda Domiciliar
Os dados coletados pela Serasa Experian evidenciam que a renda do domicílio complementa a análise da renda individual na avaliação de risco de crédito.
“Em determinados grupos, a informação sobre o domicílio adiciona uma camada mais relevante à avaliação; em outros, o benefício tende a ser mais moderado,” afirmou Mônaco.
Acesso ao Crédito
A empresa ressalta que o modelo pode facilitar o acesso ao crédito para consumidores que, historicamente, são considerados mais arriscados. Isso inclui jovens, trabalhadores informais e perfis conhecidos como "thin file", que passam a ser analisados de forma mais completa e precisa.
Ao mesmo tempo, a Serasa Experian aponta que análises mais avançadas também permitem uma identificação mais eficaz dos riscos em situações que poderiam não ser percebidas por métodos tradicionais de avaliação.
A Visão Ampliada na Análise de Crédito
“Os dados ressaltam que a análise de crédito pode se beneficiar de uma visão cada vez mais abrangente do consumidor, composta por um maior número de camadas de informação,” declarou Eduardo Mônaco.
“A renda estimada individual continua sendo um indicador fundamental, mas ao considerar o contexto do domicílio, é possível enriquecer essa análise e tornar as decisões ainda mais precisas e alinhadas à realidade financeira dos consumidores,” completou.
Diferenças Regionais na Inadimplência
O levantamento também identifica variações regionais. No Sudeste, a taxa de inadimplência diminui de 12,3% para 9,9% em domicílios de maior renda. Na região Nordeste, o percentual reduz de 14,2% para 11,5%, enquanto, na região Norte, a taxa passa de 14,7% para 11,9% em faixas intermediárias de renda domiciliar.
Considerações Finais
A companhia também destaca que as informações relacionadas ao contexto domiciliar não impactam diretamente o cálculo individual do score de crédito ou da renda estimada do consumidor.
“O objetivo da solução é complementar a leitura de risco utilizando variáveis agregadas de contexto financeiro, oferecendo informações adicionais que apoiam análises mais abrangentes,” explica o vice-presidente da Serasa Experian.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


