A Revolução dos Robôs Humanoides
Humanoides da Unitree Robotics dançam no dia 31 de maio de 2026, em Xangai, durante a inauguração da primeira loja de experiência de inteligência incorporada da Ásia.
Visão de Futuro da Inteligência Artificial
Masayoshi Son, CEO da Softbank, declarou esta semana à CNBC que acredita que a inteligência artificial física e a robótica são os setores onde surgirá a próxima empresa trilionária. Os robôs humanoides, projetados para imitar os movimentos e capacidades humanas, têm ganhado destaque na mídia nos últimos anos. Seus usos variam desde manuseio de bagagens em aeroportos japoneses até a grande aposta da Tesla em seu robô humanoide, Optimus.
Especialistas de mercado preveem que esses dispositivos transformarão o mundo na próxima década, com previsões de crescimento na indústria de até 100 vezes, à medida que as capacidades físicas da IA evoluem. Um investidor observou que as ações voltadas ao consumidor são a chave para desbloquear o valor desse potencial.
Zornitza Todorova, chefe de pesquisa temática FICC no Barclays e co-autora do relatório "AI Gets Physical", mencionou no programa "Squawk Box Europe" da CNBC que estamos vivendo "a década do robô". Todorova afirmou que "a robótica humanoide está realmente em uma trajetória ascendente", observando que o tamanho do mercado atual está entre 2 e 3 bilhões de dólares, mas deverá crescer para 200 bilhões de dólares até 2035.
O Impacto da Demografia e da Automação
O relatório de Todorova, publicado no início deste mês, classifica os robôs humanoides como "automação 3.0". Esses dispositivos foram desenvolvidos para preencher lacunas estruturais no mercado de trabalho, uma vez que o envelhecimento da população, a urbanização e as mudanças nas preferências de trabalho estão deixando as funções "sujas, tediosas e perigosas" bem adaptadas para robôs.
"Esses robôs já estão realizando tarefas simples e bem definidas, como levantar caixas ou pegar itens da linha de montagem, ajudando a preencher posições para as quais existem poucos humanos qualificados", disse Todorova à CNBC.
Contudo, ela acrescentou que há ainda muito a ser feito e a tecnologia está amadurecendo rapidamente. "Estamos à beira de uma transformação; mal estamos arranhando a superfície do que os robôs humanoides podem realizar. À medida que a tecnologia avança e os modelos se tornam melhores e mais rápidos em responder em tempo real, veremos muitas aplicações em funções com foco em serviços", destacou.
Oportunidades no Mercado Ocidental
Todorova mencionou que a grande oportunidade nos mercados ocidentais surgirá quando a IA física alcançar funções com orientação a serviços, que é onde a maior parte do crescimento econômico no Ocidente está sendo gerado. O relatório do Barclays prevê duas ondas de implantação de robôs humanoides: a primeira está ocorrendo atualmente e deve durar até 2030, abrangendo setores como manufatura, logística, agricultura e construção. A segunda onda, prevista para após 2030, contemplará a utilização de robôs em áreas como saúde, serviços a idosos, educação e hospitalidade.
O relatório também destaca que a China "é a potência mundial em robótica e laboratório de inovações", instalando cerca da metade de todos os robôs industriais globalmente — aproximadamente 300 mil em comparação a 34 mil nos Estados Unidos — e aumentando a densidade de robôs em 600%, chegando a quase 500 robôs para cada 10 mil trabalhadores desde 2016.
A Liderança da China na Robótica
A China também "domina a produção e a implementação de robôs humanoides", representando 85% das instalações no ano passado, de acordo com o relatório, que afirma que o custo de produção de robôs na China é "cerca de metade do custo dos concorrentes ocidentais", normalmente na faixa de 50 mil dólares.
Jason Pidcock, responsável pelo fundo de renda asiática de 2,75 bilhões de libras (3,69 bilhões de dólares) na gestora Jupiter, afirmou que em uma década "o mundo será completamente diferente" devido ao avanço da robótica. "Em 10 anos, haverá robôs humanoides por toda parte", afirmou durante uma reunião nas oficinas da Jupiter em Londres no dia 13 de maio. "Você pode ter um em casa. Certamente, amigos ou familiares possuirão um robô humanoide. Fábricas estarão cheias deles. As forças armadas e departamentos do governo estarão repletos desses dispositivos."
Pidcock ressaltou que a implementação dessas máquinas melhorará dramaticamente a produtividade, afirmando que a fabricação dos robôs exigirá tanto a produção de hardware quanto de software. "A Ásia estará na vanguarda da oferta desses produtos, e essa é uma parte significativa onde estamos investindo", completou.
Como Investidores Estão Apostando na Robótica
No ano até o final de abril, o fundo de Pidcock teve um crescimento de 49,2%. Entre suas principais participações estão Mediatek, TSMC, Samsung, Foxconn, ST Engineering e Singtel. "Estamos em busca de setores que reúnam empresas capazes de evoluir", afirmou Pidcock durante o evento em Londres.
"Estamos subponderados no setor de consumo discricionário, pois nossa preferência é investir no setor de tecnologia. Acreditamos que, nos próximos anos, os consumidores gastarão mais de suas despesas discricionárias em produtos tecnológicos, como a atualização de telefones, computadores e a compra do primeiro robô humanoide."
Por outro lado, Dan Ives, diretor administrativo e analista sênior de ações da Wedbush Securities, informou à CNBC, por meio de email, que a empresa acredita que os robôs humanoides "podem representar uma das maiores oportunidades de mercado na Revolução da IA". "Este é o ganso de ouro para a IA física e isso reflete a grande visão da Tesla em relação ao Optimus", disse Ives.
Ives gerencia o ETF da Revolução da IA da Wedbush, que até o momento deste ano apresentou um crescimento de 4,19%. As principais participações do fundo incluem Micron, AMD, Broadcom e Nvidia. No entanto, ele ressaltou que as principais empresas do setor de robótica humanoide ainda são privadas. "Vemos a China como a líder clara nesse campo. Os EUA estão em modo de recuperação", disse.
Ives acrescentou que o mercado valerá trilhões de dólares na próxima década e "mudará a forma como consumidores e negócios operam ao longo do tempo". Ele destacou que isso proporcionará um "imenso aumento na produção", mas, ao mesmo tempo, haverá riscos em torno dos robôs que precisarão ser cuidadosamente gerenciados pela indústria e pelos governos.
Fonte: www.cnbc.com


