Setor Privado Reage ao Aumento de Tarifas, Afirma Ex-Diretor-Geral da OMC

Setor Privado Reage ao Aumento de Tarifas, Afirma Ex-Diretor-Geral da OMC

by Fernanda Lima
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Cenário da Disputa Comercial entre Brasil e Estados Unidos

Avaliação de Roberto Azevêdo

O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, fez uma análise sobre a atual disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Ele destacou que as novas tarifas impostas pelos americanos seguem uma estratégia que já havia sido anunciada anteriormente pela Casa Branca.

Estratégia Americana de Reindustrialização

Em uma entrevista concedida ao CNN Money, Azevêdo descreveu o contexto atual como parte de um "roteiro previamente anunciado". De acordo com suas observações, os Estados Unidos tomaram uma decisão política voltada para a reindustrialização do país, utilizando a elevação das tarifas de importação como um meio para incentivar investimentos internos e aumentar a arrecadação tributária, a fim de financiar programas de estímulo econômico.

Retorno das Tarifas

Azevêdo explicou que as tarifas que haviam sido derrubadas pela Justiça americana em janeiro, por não se sustentarem com o argumento de emergência nacional, estão sendo reintroduzidas através de outros mecanismos legais. Entre essas tarifas, encontra-se uma tarifa horizontal de 10%, que foi aplicada com base em uma legislação relacionada ao balanço de pagamentos, além de sobretaxas específicas que variam entre os países e setores, implementadas pela chamada Seção 301. Ele destacou que, no caso do Brasil, essa investigação subjacente já estava em andamento desde o ano anterior.

Situação Atual do Brasil

Apesar de considerar que a situação do Brasil está um pouco melhor do que durante a época de maior tensão comercial, Azevêdo alertou que o panorama ainda é preocupante. Ele mencionou que a carga tarifária sobre os produtos brasileiros caiu de aproximadamente 50% para 37,5%, mas ainda assim permanece em um nível elevado.

Azevêdo declarou: "As tarifas anteriores somadas eram de 40 mais 10, era 50%. Agora nós estamos mais ou menos em 25 mais 12,5, que dá 37,5%."

Impactos na Competitividade

Segundo a avaliação do ex-diretor da OMC, uma tarifa nesse nível ainda é suficiente para prejudicar a competitividade de vários setores exportadores. Ele salientou que, aliadas às medidas da Seção 232, justificadas pelos Estados Unidos por motivos de segurança nacional, que atingem produtos como aço, alumínio, móveis e madeira, essas restrições têm um impacto substancial nas exportações brasileiras.

"Na maior parte das vezes, você inviabiliza a exportação. Nós deixamos de exportar", afirmou.

Mobilização do Setor Privado

Azevêdo também enfatizou que o setor privado brasileiro continua atuando de forma intensa para tentar minimizar os efeitos dessas medidas. Ele mencionou que instituições como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estão acompanhando de perto as negociações e mantendo um canal de comunicação constante com as autoridades tanto brasileiras quanto americanas.

Risco de Incorporar a Disputa ao Debate Eleitoral

O ex-diretor da OMC expressou preocupação de que a disputa comercial se torne parte do debate eleitoral no Brasil. De acordo com Azevêdo, as discussões devem focar nos efeitos econômicos e na preservação dos postos de trabalho, e não serem desviadas para finalidades eleitorais.

"Aquilo que não devemos fazer é incorrer na tentação de usar tudo isso que está acontecendo para propósitos eleitorais", afirmou. "Empregos estão na reta e precisamos tratar isso como prioridade, não necessariamente vinculando-se a um período eleitoral."

Negociações com Washington

Em relação às negociações com os Estados Unidos, Azevêdo defendeu uma abordagem pragmática e abrangente. Embora a investigação americana se concentre em questões como tarifas sobre etanol, desmatamento, o sistema de pagamentos PIX, regulamentação de plataformas digitais e propriedade intelectual, ele acredita que há espaço para o avanço do diálogo em outras áreas.

Segundo Azevêdo, temas como minerais estratégicos, incluindo as chamadas terras raras, e normas para transmissões eletrônicas poderiam abrir espaço para entendimentos entre os dois países.

"É uma questão de criatividade, identificar oportunidades de se comunicar com o outro lado e tentar encontrar áreas de convergência", finalizou.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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