A curva de juros futuros
A curva de juros futuros interrompeu uma sequência de seis dias consecutivos de alta, apresentando um breve alívio nos preços do petróleo e um enfraquecimento do dólar, com o conflito no Oriente Médio ainda sendo uma questão relevante para o mercado.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que é de curtíssimo prazo, apresentou uma queda de 4 pontos-base em relação ao ajuste anterior, encerrando em 14,480%, contra 14,430% do fechamento anterior.
A taxa de DI para janeiro de 2029, que se refere ao médio prazo, também apresentou ajuste, encerrando as negociações em 14,920%, em comparação aos 14,945% registrados anteriormente, o que representa uma queda de quase 3 pontos-base.
Por sua vez, a DI para janeiro de 2036, correspondente ao longo prazo, terminou o dia em 14,625%, em relação aos 14,710% do fechamento da última segunda-feira, dia 8, evidenciando uma queda de cerca de 8 pontos-base.
No mercado de títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries, também se registrou uma queda, aguardando novos dados relacionados à inflação.
O yield do Treasury de dois anos, que é mais sensível às alterações na política monetária, terminou em 4,120%, frente a 4,158% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos, que serve como referência para empréstimos imobiliários, financiamentos de veículos e dívidas de cartão de crédito, caiu para 4,520%, em comparação a 4,550% verificado na última segunda-feira, dia 8.
De olho na Selic
A deterioração das expectativas do mercado em relação à inflação e à política monetária continua a impactar a curva a termo, uma vez que o mercado já está precificando a possibilidade de altas, mesmo que em probabilidade reduzida, na Selic durante o segundo semestre deste ano.
Desde o final do mês passado, importantes players do mercado começaram a revisar suas projeções macroeconômicas, após a divulgação de dados considerados ‘robustos’ referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) e a outros indicadores que superaram as expectativas. Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, especialmente no que diz respeito aos preços de energia e suas potenciais repercussões sobre a inflação, também estão sendo considerados como fatores relevantes nas revisões de expectativas.
Essas considerações têm se traduzido em estimativas que indicam um ciclo de corte de juros mais curto, o que implica em uma Selic mais alta até o final de 2026.
Nesta terça-feira, o BTG Pactual divulgou um relatório onde expressa expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduz a taxa em 25 pontos-base, de 14,50% ao ano para 14,25% ao ano, na próxima semana, representando o último ajuste do ciclo iniciado em março deste ano.
Paralelamente, a curva atual precifica a manutenção dos juros desde a última sexta-feira, dia 5. No dia de hoje, as opções do Copom negociadas na B3 apontam uma probabilidade de 62,50% de que a Selic se mantenha inalterada na próxima decisão, segundo a atualização mais recente divulgada ontem, dia 8. Já a chance de um corte de 25 pontos-base é de 35%.
Durante a tarde, o contrato de DI para janeiro de 2027 foi precificado com uma possibilidade de alta de 25 pontos-base em agosto, ainda que de forma marginal.
Nos Estados Unidos, a expectativa de aumento nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central do país, no segundo semestre se consolidou praticamente desde a semana passada, após a divulgação de dados do mercado de trabalho que foram consideravelmente mais fortes do que o esperado.
No final da tarde de hoje, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava uma probabilidade de 50,5% de que o Fed retome o aperto monetário em sua próxima reunião de política monetária, que ocorrerá em outubro. Atualmente, a taxa de referência dos EUA se encontra na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Fonte: www.moneytimes.com.br


