Um Novo Ciclo de Mercado se Inicia Fora das Big Techs: Descubra Onde Estão as Oportunidades Segundo o BTG.

Um Novo Ciclo de Mercado se Inicia Fora das Big Techs: Descubra Onde Estão as Oportunidades Segundo o BTG.

by Ricardo Almeida
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Segurança e Defesa como Fatores de Crescimento

Se a última década foi marcada pela ascensão das grandes empresas de tecnologia e pela busca incessante por eficiência, a próxima década pode ser caracterizada por um foco bem diferente, que impacta diretamente o patrimônio dos investidores: a segurança e a defesa. O tema, que anteriormente figurava como um aspecto secundário nas carteiras de investimentos globais, agora ganha a relevância de uma tese estrutural de longo prazo, apoiada por uma combinação rara de crescimento, previsibilidade e suporte do governo.

Um Mundo Mais Tenso, Um Mercado Maior

O contexto para essa nova tese decorre de um ambiente global em crescente instabilidade. Em 2025, o mundo registrou 59 conflitos armados, o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial, levando os governos a reavaliar suas prioridades e aumentar os investimentos em defesa.

Essas mudanças já se refletem em números concretos. Os gastos globais em defesa alcançaram US$ 2,6 trilhões, estabelecendo um recorde histórico. Contudo, esses gastos representam apenas cerca de 2,5% do PIB global, inferior à média histórica de 3,4%, o que sugere um espaço considerável para expansão. Em um cenário conservador, um aumento de apenas 1 ponto percentual no PIB geraria US$ 620 bilhões adicionais direcionados ao setor de defesa.

Em termos de quem lidera esse movimento, nota-se que poucos e influentes países estão à frente. Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Índia são responsáveis por cerca de 55% do total gasto no setor globalmente. Nos Estados Unidos, que é o maior impulsionador do setor, o orçamento pode ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027, representando um aumento de aproximadamente 60% em relação aos níveis atuais.

Para os investidores, o diferencial está na qualidade desse crescimento. Em 2024, a receita do setor alcançou US$ 922 bilhões, apresentando uma elevação de 9,3%, e as expectativas apontam para manutenção de um ritmo semelhante até 2027.

Mais importante do que o crescimento em si é a previsibilidade associada a esse setor. O indicador conhecido como book-to-bill se mantém acima de 1,0x por nove trimestres consecutivos, alcançando 1,6x no final de 2025. Isso indica que a carteira de pedidos está crescendo, com as empresas vendendo mais do que conseguem entregar, o que resulta em um backlog robusto e receitas futuras mais previsíveis.

Esses fatores se fundamentam na percepção do mercado acerca de um novo superciclo global, que não se caracteriza apenas por um aumento nos gastos, mas também por um reposicionamento estrutural da economia. Nesse novo cenário, a segurança passa a ocupar uma posição central nas políticas industriais e fiscais.

A Tese de Investimento

É neste contexto de transformações que segurança e defesa deixam de ser tópicos táticos e passam a integrar o radar estratégico de alocação, de acordo com a visão do BTG Pactual. A tese fundamenta-se em três pilares principais: o crescimento estrutural dos orçamentos, a previsibilidade proporcionada por contratos de longo prazo e a resiliência apresentada mesmo em cenários econômicos adversos.

Na prática, essa dinâmica transforma o setor em algo análogo a uma “infraestrutura global”, caracterizada por uma demanda contínua, que é pouco Sensível a crises, e que conta com um forte apoio governamental.

Dentro deste contexto, a preferência do BTG recai sobre empresas de hardware, que capturam mais diretamente o aumento dos investimentos. Para aqueles que buscam diversificação, o banco recomenda ETFs como o iShares U.S. Aerospace & Defense (ITA), que é negociado nos Estados Unidos e acessível no Brasil por meio do BDR BAER39.

Esse fundo replica o desempenho das principais empresas norte-americanas do setor aeroespacial e de defesa, proporcionando uma exposição direta a uma cadeia que depende fortemente de contratos governamentais. Isso resulta em receitas mais previsíveis, que se mostram menos sensíveis às oscilações econômicas.

Atualmente, o ETF concentra empresas centrais no superciclo de investimentos. Dentre as principais posições, destacam-se GE Aerospace, representando cerca de 20% da carteira, seguida por RTX Corporation, além de gigantes tradicionais como Boeing, Lockheed Martin e Northrop Grumman.

Nos últimos anos, o ETF já acumulou ganhos significativos. Desde o início de 2024, suas ações apresentaram uma alta de aproximadamente 88%, superando inclusive o S&P 500, que obteve uma valorização de 45% no mesmo período.

O ponto de vista do banco é que, embora existam riscos como possíveis cortes fiscais ou uma redução nas tensões globais, a diretriz principal permanece clara. Em um mundo que se torna cada vez mais fragmentado, a defesa transforma-se em uma necessidade estratégica, consolidando-se como uma das teses de investimento mais robustas no atual cenário mundial.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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