Preparativos para a Temporada de Lucros
Wall Street se prepara para uma temporada de lucros promissora, mas há outras variáveis a serem consideradas além dos números destacados. As estimativas para os lucros por ação do primeiro trimestre apontam um crescimento de 12,3% em relação ao ano anterior, superando a média de 11,4% observada desde 2009, conforme relatório da S&P Capital IQ. Entretanto, os investidores permanecem atentos às avaliações do mercado e aos impactos econômicos da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, afirmou: "Esperamos uma temporada de lucros forte neste trimestre, apesar das tensões geopolíticas". Os primeiros relatórios do primeiro trimestre começam a ser divulgados na próxima semana.
Previsões de Lucros
Cerca de 54% das empresas do S&P 500 emitiram orientações positivas para os lucros por ação antes do início do trimestre, o que representa a maior porcentagem desde 2021, de acordo com uma análise realizada por John Butters, analista de lucros sênior da FactSet. Em comparação, as médias dos últimos cinco e dez anos para essas taxas foram de 42% e 40%, respectivamente. O estimado de lucros por ação, considerado de forma agrupada, está aproximadamente 3% acima do que foi registrado no final do ano passado, conforme informou Adam Parker, fundador da Trivariate Research. Ele ressaltou que o setor de tecnologia foi o principal responsável por esse aumento.
Fatores Externos e Questões de Crescimento
Apesar das expectativas positivas, fatores externos podem desacelerar o otimismo dos investidores à medida que os relatórios são divulgados. O aumento nos preços dos combustíveis, em decorrência do conflito, gerou preocupações de que os lucros corporativos possam ser afetados à medida que os consumidores reduzem seus gastos para compensar os custos energéticos mais altos. Os futuros do petróleo Brent, considerado um padrão global, aumentaram mais de 50% desde o início do conflito e quase 80% em 2026.
“De forma geral, as previsões de mercado incorporam alguma amplitude e crescimento forte, contrariando o que claramente é um receio de crescimento relacionado à guerra no Irã”, escreveu Parker em uma nota enviada aos clientes no domingo. O aumento nos preços dos combustíveis pode também resultar em lucros mais robustos para o setor de energia, de acordo com David Wagner, chefe de ações da Aptus Capital Advisors. Contudo, ele destacou que os custos energéticos mais altos podem ocasionar degradação das margens de lucro em muitas empresas, e os relatórios podem fornecer clareza sobre esse impacto. Wagner comentou: “Muitos investidores pessimistas se preocupam que os preços altos da energia, causados pelo conflito no Oriente Médio, possam diminuir os lucros devido ao aumento dos custos de insumos”. Ele, no entanto, não acredita que isso seja verdade.
Esperança de Resolução Rápida
Os investidores permanecem otimistas de que a crise de abastecimento provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz possa ser resolvida em um prazo menor do que o esperado. O presidente Donald Trump ameaçou atacar as usinas de energia e as pontes do Irã se o Estreito não fosse reaberto até a próxima terça-feira. Todd Ahlsten, chefe de investimentos na Parnassus Investments, expressou: “O aumento dos preços do petróleo está levando a um aperto nas condições financeiras, e os riscos geopolíticos estão elevados. Porém, esperamos e acreditamos que eles serão resolvidos em semanas, não em meses”.
Liderança do Mercado
Embora toda a atenção esteja voltada para o petróleo e a energia desde o início do conflito, os investidores ainda enxergam a tecnologia como a principal força motriz do crescimento dos lucros. Mais da metade do aumento esperado para o S&P 500 deve-se a esse setor, segundo Mulberry da Zacks. Parker também ressaltou que as expectativas para os lucros do primeiro trimestre diminuíram em todos os setores do S&P 500, exceto no setor de tecnologia da informação. Além disso, é importante notar que o múltiplo de preço sobre lucro projetado do S&P 500 está em 20,3 ao final de março, conforme reportado por Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA, o que representa um prêmio de 2,8% em relação à média dos últimos dez anos.
Na semana passada, os três principais índices financeiros apresentaram uma recuperação impulsionada pela esperança de que o conflito no Oriente Médio estivesse chegando ao fim, encerrando uma sequência de cinco semanas de perdas. No entanto, o S&P 500 ainda acumula uma queda de mais de 3% em 2026, com a guerra alimentando a ansiedade econômica em Wall Street.
Parker também observou que, com a proximidade da temporada de lucros e um recente conjunto de dados econômicos positivos, há motivos para ter uma perspectiva favorável sobre o caminho da economia dos Estados Unidos. Nesse sentido, ele comentou que os investidores podem se sentir cada vez mais confortáveis ao reverter sua atenção para ações à medida que o conflito se desenrola. "O fato é que acreditamos que a temporada de lucros de abril e as orientações de julho serão razoavelmente robustas", concluiu Parker. "Não podemos ter certeza, mas parece que as notícias sobre a ‘segunda derivada da guerra’ agora são positivas, e isso nos torna mais otimistas em relação ao risco do que éramos há três meses."
Fonte: www.cnbc.com


