Brasil será favorito na Copa de 2030, mas precisa abandonar a prepotência e a arrogância
A eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, ocorrida nas oitavas de final e considerada a pior campanha desde 1990, aconteceu em um ciclo repleto de tumultos. Sob a direção de vários treinadores, Carlo Ancelotti foi nomeado para a função pouco mais de um ano antes do Mundial, não tendo tempo suficiente para moldar uma equipe ideal. A geração que por muito tempo representou o Brasil na seleção nacional termina mais uma passagem com um novo fracasso.
O Estadão apontou sete razões que contribuíram para a desclassificação precoce do Brasil, que perdeu para a Noruega por 2 a 1, em partida realizada no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.

1) Ciclo confuso: quatro técnicos e caos na CBF impediram a construção de um projeto
O Brasil chegou à Copa sem um trabalho consolidado. Desde a saída de Tite, após a Copa de 2022, a seleção enfrentou a transição por quatro diferentes treinadores e conviveu com crises políticas na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), incluindo mudanças na presidência. Interinos como Ramon Menezes e Fernando Diniz, que se dividiu entre a seleção e o Fluminense, e Dorival Júnior atuaram antes de Carlo Ancelotti assumir em maio de 2025. Cada um apresentou ideias divergentes sobre o modelo de jogo, convocações e hierarquia do elenco. Em contrapartida, adversários como Argentina, França e Espanha mantiveram projetos de longo prazo e bem definidos.
2) Renovação incompleta: aposta em veteranos e pouca consolidação da nova geração
Ancelotti decidiu manter a base de jogadores mais experientes, muitos dos quais estavam próximos do fim de suas carreiras em Copas do Mundo, enquanto a nova geração ainda não havia adquirido a total protagonismo. Isso resultou em um elenco em transição. Durante a competição, a seleção demonstrou depender de jogadores que não apresentavam mais o mesmo nível técnico, como Casemiro, Danilo, Marquinhos e Neymar, enquanto promessas importantes ainda não estavam totalmente preparadas para decidir os jogos.
3) O craque não decidiu: Vini Jr. perdeu protagonismo quando mais precisou
Vinícius Júnior começou a Copa em excelente fase e era considerado o principal candidato a liderar o Brasil em busca do hexacampeonato. Ele marcou quatro gols nas quatro primeiras partidas e participou efetivamente de outras jogadas de gol. Mesmo contra o Japão, onde não obteve nenhum gol ou assistência, sua contribuição foi crucial na virada por 2 a 1. No entanto, diante da Noruega, Vini Jr. não converteu um pênalti no primeiro tempo e, apesar de alguns bons dribles, não conseguiu decidir a partida. Aos 25 anos, o jogador ainda tem potencial para mais duas Copas em alto nível, caso deseje continuar.
4) Lesões diminuíram o potencial ofensivo da seleção
A preparação e a campanha da seleção foram fortemente influenciadas por problemas de saúde entre os jogadores. Estêvão, um jovem talento que havia sido considerado titular por Ancelotti, se lesionou antes do Mundial. Eder Militão, que era a principal opção para a lateral direita, também ficou fora devido a lesões. Sem ele, Ancelotti convocou Wesley, que igualmente se machucou e foi cortado, o que resultou na necessidade de escalar o veterano Danilo, já em fase final de carreira.
Durante a competição, Raphinha sofreu lesões e não pôde ajudar a equipe, e Lucas Paquetá também não participou da eliminação contra a Noruega, o que restringiu as opções de criação na linha de meio-campo.
5) Falta de definição nas cobranças de pênaltis expôs falha de planejamento
A partida contra a Noruega evidenciou uma clara falta de definição quanto a quem seria o principal cobrador de pênaltis. Alguns especialistas convidados para a cobrança ficaram no banco durante boa parte da partida, e Bruno Guimarães acabou assumindo a responsabilidade de uma cobrança decisiva, mas desperdiçou a oportunidade. Ancelotti comentou que uma ordem de cobradores foi baseada em estatísticas, mas revelou que os três principais cobradores estavam no banco no momento da cobrança no primeiro tempo, o que evidenciou um descuido na preparação da equipe.
6) Bola parada voltou a ser um problema e custou caro diante de Haaland
A seleção brasileira novamente enfrentou suas dificuldades na defesa de jogadas aéreas, um problema que se repetiu ao longo do torneio. O Brasil quase não aproveitou escanteios e faltas ofensivas e, do outro lado, sofreu um castigo em relação a esse fundamento durante a partida. Haaland, atacante da Noruega, abriu o placar com um gol de cabeça, explorando uma falha na marcação de Gabriel Magalhães.
Ancelotti havia expressado preocupação anteriormente em relação à baixa produtividade em jogadas de bola parada, afirmando que as jogadas estavam sendo ensaiadas e que esperava uma melhoria, mas esse tempo não estava disponível.
7) A convocação de Neymar machucado
O jogador Neymar, que nunca havia sido convocado por Carlo Ancelotti, foi incluído na lista final após uma sequência de boas atuações pelo Santos, próxima à convocação. Contudo, ele se machucou no dia anterior ao anúncio da lista. Com informações divergentes sobre a gravidade da lesão, Neymar se apresentou à seleção, e mesmo com uma condição física mais grave do que se pensava, foi mantido na convocação em vez de ser cortado, o que poderia ter permitido a inclusão de um atleta em melhor condição de saúde. Mesmo recuperado da lesão na panturrilha direita, a quantidade de jogos que poderia participar e sua presença em campo se tornaram limitadas, ressaltando mais uma falha de planejamento.
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Fonte: www.estadao.com.br


