O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) agendou para a próxima segunda-feira (6) uma audiência pública com o objetivo de discutir a investigação da “Seção 301”. Essa investigação abrange políticas e práticas ligadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico—com destaque para o sistema PIX— tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento. Todos esses tópicos são relevantes para a pauta exportadora do Brasil. A audiência se encerrará na terça-feira (7).
O Brasil se encontra em uma posição de pressão em dois aspectos: o político, visando evitar a confirmação das tarifas, e o econômico, buscando avaliar os possíveis impactos de uma eventual sobretaxa sobre as exportações, além de considerar os custos logísticos, o câmbio e a inflação.
O país está em uma corrida contra o tempo, já que a oportunidade para um acordo se torna cada vez mais limitada. Após a audiência, haverá menos de dez dias até que se cumpra o prazo legal de 15 de julho.
Teor Político
No último dia 2 de junho, o governo americano anunciou a implementação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Além das repercussions econômicas, essa escalada nas tensões entre Brasil e Estados Unidos reflete o cenário político atual, especialmente com a aproximação das eleições no Brasil. Importante ressaltar que alguns produtos podem ser submetidos a sobretaxas de até 37,5%, caso as tarifas adicionais de 12,5% sejam efetivamente aplicadas pelos Estados Unidos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também se configura como pré-candidato à Presidência da República, será um dos expositores durante a audiência da próxima terça-feira (7), em Washington. Ele terá cerca de cinco minutos para se pronunciar e indicou que defenderá a não aplicação das tarifas por parte do governo americano, bem como a busca de um entendimento negocial.
No dia 2 de julho, o senador enviou uma manifestação à USTR, sugerindo que a implantação do aumento tarifário de 25% em determinados produtos brasileiros poderia beneficiar a candidatura do ex-presidente Lula. Por essa razão, ele propôs que a aplicação da medida fosse postergada para um período de 180 dias, ou seja, a ser iniciada somente após as eleições presidenciais.
A mudança de postura do senador em relação às tarifas acendeu um sinal de alerta dentro do governo, que interpreta essa estratégia como uma tentativa de minimizar os danos à imagem do governo à medida que as eleições se aproximam.
Em resposta à intenção de postergar a implementação da sobretaxa, o presidente Lula declarou que o Brasil “não está à venda” e argumentou que a aplicação das tarifas sobre os produtos brasileiros não se justifica nem antes, nem depois das eleições.
Após a audiência, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias, terá dois encontros com representantes do governo de Donald Trump, antes que as novas tarifas entrem em vigor.
Fonte: timesbrasil.com.br

