Suspensão das Exportações Brasileiras de Produtos de Origem Animal
A União Europeia confirmou que não tem a intenção de flexibilizar as exigências sanitárias, resultando na suspensão das exportações brasileiras de produtos de origem animal para o bloco europeu. Esta declaração foi proferida pelo embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, que preside o Conselho da União Europeia desde 1º de julho. A partir de 3 de setembro, o Brasil deixará de integrar a lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o mercado europeu, uma vez que não cumpre as normas relativas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Essa medida afetará as exportações de carne bovina, carne de frango, pescado, mel e outros produtos direcionados aos países do bloco.
Padrões de Antimicrobianos
Segundo Gallagher, as exigências adotadas pela União Europeia são de conhecimento do Brasil há vários anos e não representam uma alteração recente nas diretrizes sanitárias do bloco. O embaixador afirmou que essas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos não são novas, e que a União Europeia mantinha diálogo com as autoridades brasileiras sobre os padrões há algum tempo. Durante uma entrevista, ele explicitou a situação.
Critérios Técnicos da União Europeia
O diplomata enfatizou que a decisão de suspensão foi baseada exclusivamente em critérios técnicos definidos pelo comitê responsável da União Europeia. Ele salientou que outros países também passaram por avaliações similares, e apenas aqueles que atenderam aos requisitos permaneceram autorizados a exportar para o mercado europeu. “O comitê avaliou diversos países, e aqueles que atenderam tecnicamente aos requisitos permaneceram na lista de exportadores autorizados a vender para a União Europeia. A regra é bastante simples: quem atende aos padrões continua na lista; quem não atende, deixa de fazer parte dela. Os padrões técnicos são centrais na política da União Europeia e do próprio projeto europeu”, declarou.
Desafios no Setor de Proteína Animal Brasileiro
Enquanto isso, representantes da cadeia brasileira de proteína animal consideram que o prazo estipulado será insuficiente para adequar toda a produção às novas exigências. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) comunicou que há “grandes chances” de o setor não conseguir cumprir integralmente as regras até a implementação da medida. A entidade ressaltou que a adaptação da pecuária bovina aos novos padrões sanitários demanda aproximadamente 30 meses, tendo em vista o ciclo produtivo dos animais.
Cenário de Exportações para a China
Além das restrições impostas pelo mercado europeu, o setor brasileiro enfrenta um cenário ainda mais desafiador nas exportações para a China. O país asiático exauriu sua cota anual de importação com tarifa reduzida de 12%, levando à aplicação de uma sobretaxa que eleva a tributação total para 67%. Este aumento considerável reduz significativamente a competitividade da carne bovina brasileira. Para o Brasil, a cota anual foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas, um volume menor em comparação às mais de 1,6 milhão de toneladas embarcadas em 2025. Em razão dessa situação, os embarques foram interrompidos em julho, e vários frigoríficos começaram a reduzir os abates e a implementar férias coletivas na tentativa de ajustar a produção.
Desempenho das Exportações Brasileiras
Ainda que o contexto atual seja desafiador, as exportações brasileiras apresentaram um desempenho robusto durante o primeiro semestre do ano. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), indicam que as vendas externas de carne bovina alcançaram a cifra de US$ 9,929 bilhões entre os meses de janeiro e junho, representando um crescimento de 33,4% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar desse resultado positivo, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) prevê uma desaceleração na segunda metade do ano, em função da combinação entre a suspensão das exportações para a União Europeia e a interrupção dos embarques para a China.
Fonte: br.-.com


