Dólar atinge R$ 5,46 com nova pesquisa eleitoral e diminuição das expectativas de corte na Selic em janeiro

Dólar atinge R$ 5,46 com nova pesquisa eleitoral e diminuição das expectativas de corte na Selic em janeiro

by Ricardo Almeida
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O Dólar e o Real

O dólar continuou a apresentar um desempenho positivo em relação ao real, em um contexto caracterizado pela falta de consenso acerca do início do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil, adicionado a fatores relacionados ao cenário eleitoral e novos dados econômicos nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira (16), a cotação do dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotada a R$ 5,4630, com uma alta de 0,76%.

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Esse movimento contrastou com a tendência externa observada no mesmo período. Às 17h (horário de Brasília), o DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas internacionais, como euro e libra, apresentava uma queda de 0,16%, situando-se em 98.145 pontos.

Fatores que influenciaram o Dólar

O dólar registrou mais um dia de valorização, com a política monetária ocupando o centro das atenções dos investidores.

Na ata divulgada pela manhã, o Comitê de Política Monetária (Copom) evidenciou os avanços resultantes da atual condução da política monetária, reiterando, porém, a manutenção da Selic em um nível consideravelmente contracionista.

Os membros do Comitê expressaram que “a estratégia em curso, que envolve a permanência do nível atual da taxa de juros por um período extensivo, é apropriada para garantir a convergência da inflação em direção à meta”.

A ata também indicou que a abordagem cautelosa da política monetária tem sido fundamental para a conquista de ganhos desinflacionários. Destacaram, ainda, a continuidade da moderação gradual da atividade econômica e a diminuição das expectativas de inflação.

De acordo com o Itaú BBA, a ata do Copom apresentou uma redução da probabilidade de início do ciclo de afrouxamento monetário em janeiro. “Assim como no comunicado, a ata estabeleceu um critério elevado para um corte em janeiro, em nossa análise. Portanto, podemos reavaliar a situação de curto prazo, juntamente com uma revisão mais abrangente das expectativas econômicas que pretendemos divulgar em breve”, declarou a equipe de pesquisa macroeconômica do banco, liderada pelo economista-chefe Mário Mesquita.

Na mesma linha, a Warren Investimentos salientou que “a atenção, mais uma vez, se voltou para a evolução do cenário, na busca de uma ancoragem mais clara e um cenário inflacionário que possibilite ao Copom avançar para a próxima etapa do ciclo”. A gestora mantém a expectativa de flexibilização monetária a partir do final do primeiro trimestre de 2026.

Na semana anterior, o Copom optou por manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, pela quarta vez consecutiva.

Impacto do Cenário Eleitoral

O cenário político também criou movimentações no câmbio, impulsionado pela divulgação de novas pesquisas de opinião.

“A reação dos mercados ocorreu após a liberação das pesquisas eleitorais, que reafirmaram a liderança do candidato do governo, evidenciando a fragmentação da oposição em torno de uma candidatura competitiva para as eleições de 2026”, comentou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada na tarde desta terça-feira, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta 41% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno. O senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL), segue em segundo lugar com 23%, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece com 10%.

Nos cenários de segundo turno, o levantamento indica que Lula teria 46% contra 36% de Flávio Bolsonaro, e registraria 45% numa disputa com Tarcísio, que teria 35%.

A pesquisa foi realizada entre 11 e 14 de dezembro, com a participação de 2.004 pessoas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, podendo ser para mais ou para menos.

Dados do Payroll e Expectativas sobre o Fed

No âmbito internacional, o dólar começou a perder força, influenciado por dados mistos. Os Estados Unidos geraram 64.000 novas vagas de emprego em novembro, conforme os dados ajustados sazonalmente, superando a expectativa do mercado de 45 mil e representando uma melhoria em relação à queda acentuada registrada em outubro.

A taxa de desemprego subiu para 4,6%, ultrapassando as previsões e alcançando o nível mais elevado desde setembro de 2021. Uma medida abrangente, que considera trabalhadores desalentados e aqueles que ocupam empregos de meio período, subiu para 8,7%, alcançando o seu pico em agosto de 2021.

Além do relatório de novembro, o Bureau of Labor Statistics (BLS) divulgou uma contagem preliminar de outubro que revelou uma redução de 105.000 vagas de emprego. Embora não houvesse uma estimativa oficial, economistas de Wall Street esperavam amplamente um declínio após o aumento inesperado de 108.000 vagas em setembro.

“Os dados de emprego da economia dos EUA referentes a outubro e novembro indicam que a decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) de cortar juros na reunião de dezembro foi adequada, uma vez que os sinais de fragilidade permanecem e até mesmo se agravaram, com a taxa de desemprego atingindo a maior marca desde setembro de 2021, o que aumenta as chances de o Fed realizar um novo corte em janeiro”, analisou André Valério, economista sênior do Inter.

Ele enfatiza que o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) deve promover um novo corte nas taxas em janeiro, “considerando a maior sensibilidade do FOMC em relação ao mandato de emprego e o relatório de dezembro que sinaliza a continuidade da atual tendência”.

Perto do fechamento do mercado, as expectativas apontavam uma probabilidade de 75,6% de que o Fed mantivesse os juros inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano durante a primeira decisão de 2026. A chance de um corte de 0,25 ponto percentual era de 24,4%.

O mercado permanecia atento às movimentações para a escolha de um novo presidente do Fed, tendo em vista o término do mandato de Jerome Powell em maio.

Na ocasião, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, um dos principais candidatos do presidente dos EUA, Donald Trump, para a liderança do Fed, destacou que a independência do Banco Central é “extremamente importante”.

O comentário foi feito em meio a preocupações de que Hassett, que pode vir a substituir Jerome Powell como presidente do Fed, possa ser demasiado próximo de Trump.

“A independência do Federal Reserve é de fato muito importante”, declarou Hassett em entrevista à CNBC, acrescentando que há espaço suficiente para a redução das taxas de juros na economia americana, algo que Trump tem defendido desde que reassumiu sua posição.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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