Crescimento do Minha Casa, Minha Vida e seu Impacto no Setor Imobiliário
Com o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) atingindo recordes de contratações no Brasil, um número crescente de incorporadoras tradicionais, que atuam nos mercados de médio e alto padrão, está voltando sua atenção para o segmento popular. Um dos fatores que atraem essas empresas são os benefícios fiscais que serão introduzidos pela reforma tributária para este setor.
Exemplos de Ingressos no Programa
A Eztec (EZTC3) é um dos exemplos mais recentes de empresa que se deixou atrair por esses incentivos. A incorporadora, situada em São Paulo, planeja retomar os lançamentos dentro do programa habitacional ainda este ano.
“O Minha Casa Minha Vida é um mercado pujante, e uma companhia do nosso tamanho não pode ficar de fora”, declarou Silvio Zarzur, presidente executivo da Eztec, durante uma teleconferência com investidores e analistas.
No passado, a Eztec criou a marca Fitcasa para atuar no MCMV, mas acabou se afastando do segmento devido às margens de lucro reduzidas. No entanto, no ano passado, a empresa retornou ao setor com novos projetos, em parceria com especialistas do programa, como a Cury (CURY3).
Crescimento da Cyrela no Programa
A Cyrela Brazil Realty (CYRE3) também está expandindo sua atuação no programa, operando com uma marca própria, chamada Vivaz. Esse segmento representou 10% dos lançamentos do grupo em 2023 e deverá aumentar para 29% em 2025. Para 2026, a empresa prevê um crescimento adicional, pois reconhece o potencial para explorar os novos ajustes no programa, como o aumento dos tetos de preços e das faixas de renda, os quais estarão em votação no próximo dia 24 de março. “Os ajustes, se confirmados, serão muito positivos. Eles aumentarão o poder de compra da população e a dimensão do mercado”, afirmou Miguel Mickelberg, diretor financeiro da empresa.
Avanços da Melnick no Sul do País
No Rio Grande do Sul, a Melnick (MELK3) também está progredindo no setor. Tradicionalmente focada em empreendimentos de médio e alto padrão em Porto Alegre, a incorporadora criou a marca Open para atuar no segmento econômico. As operações começaram no ano passado, com três projetos que somam mais de 700 apartamentos. A Melnick atualmente possui quatro terrenos com potencial para lançar até 2,1 mil unidades nos próximos trimestres.
Parcerias Estratégicas da Moura Dubeux
No Nordeste, a Moura Dubeux (MDNE3), a maior incorporadora da região, estabeleceu uma joint venture em 2025 com a Direcional, uma das principais empresas do Brasil no MCMV. A parceria visa explorar o segmento econômico, começando pelas cidades de Natal, Fortaleza, Recife e Salvador.
Outras Empresas no Segmento
Além dos exemplos já citados, outras empresas também têm se adaptado ao segmento do Minha Casa, Minha Vida. Nos últimos anos, companhias como Trisul (TRIS3), Lavvi (LAVV3) e Tecnisa (TCSA3) decidiram criar divisões voltadas para o programa, e agora os lançamentos estão começando a ganhar força. Mesmo a Even, que se consolidou no mercado de luxo em São Paulo, está avaliando a possibilidade de investir em projetos dentro do programa federal, em parceria com empresas que são especialistas na área.
“Empresas veem que o Minha Casa Minha Vida está crescendo e começam a direcionar suas atenções para esse mercado”, observou Elvis Credendio, analista de construção civil do Itaú BBA.
Contexto Econômico e Financiamento
Credendio lembra que a entrada nesse segmento funciona também como uma alternativa para as empresas que têm realizado poucos lançamentos voltados para o público de classe média, que é composto por imóveis com valores entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão. Essa situação ocorre porque as linhas de financiamento para essa faixa de renda estão sujeitas a juros elevados, o que tem resultando em uma queda nas vendas. Em contrapartida, no programa Minha Casa, os empréstimos apresentam juros mais baixos, possibilitados pelos subsídios do FGTS, mantendo as vendas aquecidas.
“Para que haja uma mudança significativa no poder de compra da classe média, ainda seria necessária uma redução expressiva da Selic e das curvas longas de juros, o que poderia reaquecer o setor de vendas”, explicou Credendio, justificando, assim, o deslocamento das incorporadoras para o segmento popular.
“A mudança para essas empresas faz bastante sentido. É um movimento cíclico em resposta aos altos juros dos financiamentos voltados para projetos de classe média”, completou Fanny Oreng, analista de construção do Santander. “Ademais, é uma estratégia para aproveitar os benefícios oferecidos pela reforma tributária.”
Efeitos da Reforma Tributária no Setor
Outro aspecto que torna a atuação no Minha Casa Minha Vida atrativa é a reforma tributária, que incorpora benefícios específicos para habitação popular. O novo sistema trará um redutor de IBS e CBS para os imóveis dentro dessas categorias, reduzindo significativamente a base de cálculo dos impostos. “No final das contas, a taxação será inferior para as empresas que atuam na construção de habitações de baixa renda”, destacou Oreng, do Santander.
A Importância do Minha Casa na Economia Imobiliária
Diante desse cenário, o segmento do Minha Casa, Minha Vida tem se posicionado como um “porto seguro” para o mercado imobiliário. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o Minha Casa representa 61% dos lançamentos e 64% das vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo. Na média nacional, essa participação é um pouco superior a 50%, de acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Fonte: www.moneytimes.com.br


