Ações da Petrobras se Destacam no Ibovespa
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) foram as mais beneficiadas no Ibovespa durante o mês de março, impulsionadas por uma alta de 42% no preço do petróleo tipo Brent. No decorrer desse período, a estatal atingiu 11 recordes em valor de mercado em reais e alcançou, na segunda-feira (30), o maior patamar já registrado em sua história, totalizando R$ 677,2 bilhões.
Na semana seguinte, a estatal registrou um ganho acumulado de R$ 134,07 bilhões, fechando na terça-feira (31) com um valor de mercado próximo a R$ 666,3 bilhões. As ações PETR3 apresentaram um salto de 26,07%, enquanto PETR4 disparou 23,75% em março, liderando a performance positiva do Ibovespa.
Aumento no Fluxo Estrangeiro e Perspectivas Futuras
No primeiro trimestre do ano, as ações da Petrobras acumulam uma alta próxima de 60%, influenciadas também por um fluxo estrangeiro significativo nos primeiros meses. Analistas do UBS BB avaliam que a Petrobras mantém uma perspectiva de forte geração de caixa e um dividend yield de 11% a 12% para os próximos dois anos, um dos mais altos entre seus pares globais, mesmo após o recente rali nos preços das ações.
Valuation da Petrobras
A Petrobras apresenta um valuation comprimido quando comparado a outras empresas do setor no mercado internacional, o que torna a reprecificação de suas ações mais intensa em cenários positivos para o preço do Brent, como é o caso atualmente. No entanto, esse desconto também acentua a sensibilidade da ação às variações de preço do petróleo: em ciclos de alta, a valorização das ações tende a ser mais acentuada, enquanto, em momentos de queda, especialmente se houver defasagens nos preços internos, o efeito se inverte.
Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, também destaca que parte do desempenho recente da Petrobras pode ser atribuída a uma correção de performance anterior. Queiroz comentou: “Havia um gap relevante em relação às grandes petroleiras, e esse movimento ajudou a fechar parte dessa diferença.”
Conflito no Oriente Médio Impacta Mercado
A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã completou cinco semanas, resultando no fechamento do Estreito de Ormuz, que é a principal hidrovia de transporte de petróleo bruto, para a passagem de petroleiros. Este bloqueio impacta diretamente a cotação da commodity, que disparou durante este período, gerando preocupações inflacionárias e uma expectativa de aumento nas taxas de juros para o final de 2026.
Em um pronunciamento recente, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não tem intenção de prolongar o conflito e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas agressões. Pezeshkian disse que a nação foi alvo de ataques durante negociações com os Estados Unidos, o que demonstra, segundo ele, que Washington “não acredita na diplomacia”.
No mesmo comunicado enviado pelo Telegram, Pezeshkian assegurou que Teerã participou das tratativas “de forma sincera e construtiva”, mas sublinhou que foi atacado duas vezes durante o processo. Para ele, esses ataques evidenciam que os Estados Unidos buscam impor seus interesses por meio da força.
Além disso, Teerã acusa o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de fazer declarações voltadas para acalmar os mercados, enquanto as negociações para um cessar-fogo não avançam. O contrato mais líquido do Brent viu um aumento significativo de 42,68%, sendo negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE) durante o mês de março.
*Com Estadão Conteúdo
Fonte: www.moneytimes.com.br
