Aumento da Inflação na China
Uma compradora passa por uma loja da Coach em um shopping em Shenzhen, na província de Guangdong, China, em 24 de março de 2026.
Inflação de Consumidor e Produtor
Em abril, a inflação de consumidores e produtores na China apresentou um aumento superior ao esperado, resultado do conflito no Oriente Médio, que tem elevado os custos das commodities, proporcionado um impulso reflacionário à economia. Os preços ao consumidor subiram 1,2% em abril em comparação a um ano antes, superando as estimativas de economistas que previam um crescimento de 0,9% em uma pesquisa da Reuters. Esse aumento representa uma aceleração em relação ao crescimento de 1% registrado em março, conforme dados divulgados nesta segunda-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas.
O índice de preços ao produtor apresentou uma alta de 2,8% em relação ao ano anterior, superando a previsão dos economistas, que era de 1,6%, além de ser uma recuperação significativa em comparação à alta de 0,5% do mês anterior. Este aumento ocorreu após os preços nas fábricas se tornarem positivos pela primeira vez em mais de três anos, encerrando o período mais longo de deflação em décadas.
Impacto das Commodities e Perspectivas Econômicas
O crescimento dos preços tem sido favorecido pelo aumento nos preços globais das commodities, uma vez que a guerra no Irã, que já dura três meses, tem restringido o tráfego pelo Estreito de Ormuz, afetando os mercados de energia.
Economistas do grupo Nomura observaram que "essas forças reflacionárias podem ser bem recebidas por Pequim, após três anos de prolongadas pressões deflacionárias", porém também alertaram que a reflacão impulsionada pelo lado da oferta pode pressionar ainda mais as margens de lucro das empresas e reduzir a demanda do consumo das famílias.
Demanda Interna e Setor Imobiliário
A demanda interna ainda se mostra fraca, com as vendas no varejo desacelerando drasticamente para 1,7% em março, o que ficou abaixo das previsões. O setor imobiliário continua em queda, com o investimento apresentando um recuo de 11,2% neste ano até março, uma desaceleração em comparação à queda de 9,9% no mesmo período do ano passado.
A China, sendo o maior importador de petróleo do mundo, tem conseguido mitigar os danos do choque energético através de seus estoques estratégicos de petróleo e uma mistura diversificada de fontes de energia renovável. Entretanto, economistas advertiram que essa proteção tem limites à medida que a interrupção se prolonga.
Importações e Exportações
Dados divulgados no sábado mostraram que as importações de petróleo bruto da China caíram 20% em abril em termos de volume em comparação ao ano anterior. No entanto, o crescimento das exportações do país acelerou no mês passado, registrando um aumento de 14,1% em relação ao ano anterior, elevando o superávit comercial mensal para 84,8 bilhões de dólares. Assim, a China está a caminho de registrar seu terceiro ano consecutivo com um superávit próximo de um trilhão de dólares.
Esse desempenho robusto nas exportações, que resultou em um aumento do superávit comercial da China com os Estados Unidos para 87,7 bilhões de dólares até o momento neste ano, estará em foco na próxima semana, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para visitar Pequim para uma cúpula entre líderes.
Relações entre China e Estados Unidos
O presidente chinês, Xi Jinping, está definido para receber Trump ainda esta semana, enquanto ambos os países buscam estabilizar uma relação que tem sido tensionada por questões relacionadas ao comércio, controles de exportação, Taiwan e a guerra no Irã. Pequim, que recebeu o Ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, na semana passada, se posicionou como um intermediário ativo nos esforços para reabrir o Estreito de Ormuz. Economistas do Goldman Sachs afirmaram que esperam que o conflito no Oriente Médio seja um tópico central na cúpula.
Fonte: www.cnbc.com


