Aumento do Custo da Cesta Básica no Brasil
A percepção de que uma parte significativa do salário é consumida apenas com alimentação deixou de ser apenas uma impressão e passou a se consolidar como uma realidade para muitos brasileiros.
Variação do IPCA e Cesta Básica
O principal indicador da inflação no Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apresentou uma alta de 3,82% nos preços de Alimentos e Bebidas nos últimos 12 meses. Isso foi refletido no aumento do custo da cesta básica, que teve um valor médio que subiu 8,69% nas 27 capitais brasileiras em junho de 2023, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O valor alcançou R$ 779,95, de acordo com informações fornecidas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Na prática, este aumento significa que a cesta básica consome, em média, 52,02% do salário-mínimo líquido. Para adquiri-la, um trabalhador precisa dedicar cerca de 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês, levando em conta uma jornada de trabalho de oito horas diárias em uma escala de cinco dias por semana.
Salário Mínimo Necessário
Com base nos dados coletados, a Conab e o Dieese estimam que o salário mínimo necessário para garantir a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92, que é cerca de cinco vezes o piso nacional atual de R$ 1.621. Esse valor não apenas ultrapassa o mínimo vigente, mas também supera o rendimento médio nacional, conforme apurado pela última Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pesquisa indica que o rendimento médio dos brasileiros ocupados com 14 anos ou mais é de R$ 3.726, ou seja, os trabalhadores estão recebendo, em média, quase R$ 4,4 mil a menos do que o salário mínimo considerado necessário por essas instituições.
Disparidades Regionais
Em junho de 2023, a cidade de São Paulo registrou o custo da cesta básica mais alto entre as capitais brasileiras, com um valor médio de R$ 965,47, o que representa uma alta de 9,37% em 12 meses. Deste modo, na capital paulista, a cesta básica consome 64,39% do salário mínimo líquido, exigindo 131 horas e 2 minutos de trabalho para sua aquisição.
Entretanto, São Paulo não foi a cidade que apresentou a maior alta percentual nesse período. Cuiabá, capital do Mato Grosso, liderou o aumento com uma elevação de 14,71% nos últimos 12 meses, fazendo com que a cesta básica no município custasse R$ 937,93, valor R$ 27,54 inferior ao da maior metrópole da América Latina.
Pelo outro lado, São Luís, no Maranhão, foi a única capital a registrar uma queda no preço da cesta básica, com um recuo de 0,09%, resultando em um custo médio de R$ 654,73.
Além disso, Aracaju, a capital de Sergipe, manteve o título de cesta básica mais barata do país, apesar de ter registrado uma alta de 13,12% nos últimos 12 meses. O conjunto de alimentos lá passou a custar R$ 630,40, quase R$ 335 a menos do que em São Paulo. Na capital sergipana, são necessárias 85 horas e 34 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica, cerca de 45 horas e meia a menos do que em São Paulo, o que equivale a quase dois dias de jornada de trabalho.
Ranking de Horas Trabalhadas para Adquirir a Cesta Básica
A seguir, apresenta-se um ranking das cidades com o maior número de horas necessárias para a aquisição da cesta básica:
- São Paulo (SP): 131 horas e 2 minutos;
- Cuiabá (MT): 127 horas e 17 minutos;
- Rio de Janeiro (RJ): 124 horas e 59 minutos;
- Florianópolis (SC): 124 horas e 39 minutos;
- Porto Alegre (RS): 120 horas e 44 minutos;
- Campo Grande (MS): 114 horas e 50 minutos;
- Vitória (ES): 114 horas e 33 minutos;
- Curitiba (PR): 114 horas e 23 minutos;
- Belo Horizonte (MG): 112 horas e 12 minutos;
- Fortaleza (PE): 111 horas e 37 minutos;
- Goiânia (GO): 111 horas e 27 minutos;
- Brasília (DF): 108 horas e 41 minutos;
- Palmas (TO): 107 horas e 15 minutos;
- Belém (PA): 103 horas e 4 minutos;
- Boa Vista (RR): 102 horas e 13 minutos;
- Teresina (PI): 100 horas e 6 minutos;
- Manaus (AM): 99 horas e 28 minutos;
- Macapá (AP): 97 horas e 22 minutos;
- Rio Branco (AC): 95 horas e 35 minutos;
- Recife (CE): 95 horas e 5 minutos;
- Porto Velho (RO): 94 horas e 44 minutos;
- Salvador (BA): 94 horas e 29 minutos;
- João Pessoa (PB): 93 horas e 38 minutos;
- Natal (RN): 93 horas e 7 minutos;
- Maceió (AL): 91 horas e 7 minutos;
- São Luís (MA): 88 horas e 52 minutos;
- Aracaju (SE): 85 horas e 34 minutos.
Durante a análise mês a mês de maio a junho de 2023, verificou-se que o preço pago pelo conjunto de alimentos básicos diminuiu em 10 capitais brasileiras e aumentou em outras 17. As elevações mais relevantes ocorreram em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,2%) e Porto Alegre (2,18%). Por outro lado, das 10 capitais que registraram quedas, 7 delas estão localizadas na região Nordeste.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


