Gastos de brasileiros no exterior com cartões de crédito
De acordo com os dados mais recentes da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), no terceiro trimestre de 2025, os gastos dos brasileiros no exterior, realizados por meio de cartões de crédito, alcançaram a cifra de US$ 4,8 bilhões (aproximadamente R$ 26,3 bilhões). Essa quantidade representa um grande aumento de 16,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Escolha de cartões de crédito internacionais
Fatores a considerar
Para os viajantes que buscam opções de cartões de crédito internacionais, especialistas ressaltam a importância de atentar-se a quatro aspectos principais: custos, benefícios oferecidos, suporte internacional e experiência digital.
Com relação aos custos, é recomendável comparar a anuidade dos cartões e o spread, que é a diferença entre o valor pelo qual a instituição financeira compra a moeda estrangeira e o preço ao qual a vende ao cliente. Esta diferença representa a margem cobrada para realizar operações de câmbio.
Clay Gonçalves, planejadora financeira certificada (CFP) pela Planejar, alerta que, mesmo que um cartão apresente isenção da anuidade, contingentada ao cumprimento de metas de gastos ou manutenção de investimentos, a anuidade deve sempre ser considerada como um custo relevante.
Ela enfatiza que o viajante deve avaliar o custo do cartão em relação aos seus hábitos de consumo, uma vez que a tentação do pagamento da "fatura mínima" frequentemente leva a um foco excessivo no benefício de isenção da anuidade, sem analisar o impacto real sobre suas finanças pessoais.
Outra questão significativa é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que sofreu modificações em 2025. Atualmente, as transações realizadas com cartões de crédito internacionais estão sujeitas a um IOF de 3,5%, embora algumas instituições ofereçam o ressarcimento desse valor.
No que diz respeito aos benefícios, é essencial considerar programas de pontos, cashback, acesso a salas VIP e clubes de descontos. A usabilidade e a experiência oferecida pelo cartão também são fundamentais; o ideal é verificar se o cartão inclui uma versão virtual, um aplicativo prático e serviços de concierge, que podem ser valiosos para facilitar reservas e cuidados durante a viagem.
Comparação entre cartões de crédito, débito e contas globais
José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School, observa que, em termos de benefícios e flexibilidade, o cartão de crédito se destaca, enquanto o cartão de débito tende a ser mais econômico com relação a custos diretos. Segundo ele, o cartão de débito possibilita um controle mais rigoroso dos gastos, enquanto o cartão de crédito é amplamente aceito em hotéis e para locação de veículos, graças a suas vantagens em reservas e maiores garantias contra fraudes.
A respeito das contas globais, Filho destaca que estas também apresentam custos inferiores se comparadas ao cartão de crédito. Durante a confecção deste artigo, foram consultadas doze instituições que disponibilizam esse tipo de conta e os spreads observados não ultrapassaram 2,3%, enquanto os cartões de crédito podem ter spreads que chegam a 6% em determinadas instituições.
"Uma estratégia eficaz seria utilizar a conta global para as despesas do dia a dia e o cartão de crédito para compras, locação de veículos e como suporte em situações emergenciais", sugere Filho.
Para viajantes frequentes, ele recomenda ter mais de um cartão à disposição. Isso garante que, caso algum cartão enfrente problemas, haja opções alternativas disponíveis para situações imprevistas.
Gonçalves, da Planejar, adverte que essa estratégia deve ser manejada com cautela. À medida que múltiplos meios de pagamento são incorporados na rotina, o planejamento financeiro pode se tornar mais complicado. Um problema comum associado a essa complexidade é o aumento dos gastos.
Ela também enfatiza a necessidade de monitorar rigorosamente o uso do cartão. "O crédito pode tornar as pessoas menos cautelosas. Isso pode levar a gastos excessivos durante as férias, excedendo o limite estabelecido. No momento de quitar a fatura, a satisfação pode se transformar em arrependimento", alerta.
Comparação de cartões internacionais
O E-Investidor consultou 16 instituições – incluindo bancos, cooperativas de crédito e fintechs – que oferecem cartões de crédito internacionais. A tabela a seguir apresenta os custos e o sistema de pontuação de mais de 80 opções de cartões.
Além disso, um gráfico ilustra os principais benefícios oferecidos por esses cartões, que incluem seguros, acesso a salas VIP e clubes de descontos. Os leitores podem clicar sobre o nome de cada instituição para conferir as vantagens específicas associadas a cada cartão.
Cartões com spread zerado
Entre as opções existentes, há cartões que oferecem spread zerado. Desde maio de 2025, com as alterações no IOF, o Mercado Pago começou a proporcionar esse benefício. Muitas cooperativas de crédito, como Cresol, Sicoob e Unicred, também isentam seus clientes desse custo. O Sicredi aplica um spread de apenas 1%, notavelmente inferior às taxas de grandes bancos, que podem alcançar até 6%.
Cartões emitidos no exterior
O cartão de crédito em dólar da Global Account do Inter apresenta duas vantagens significativas em termos de custos: tanto o spread quanto o IOF são zerados. O produto é livre dessa tributação porque é emitido no exterior e também conta com isenção de anuidade.
A fintech Karta oferece o Karta Visa Infinite, que é um cartão americano destinado a brasileiros e também não cobra IOF. Este cartão aplica um spread de 0,69%, que pode ser eliminado caso o cliente utilize uma conta bancária nos Estados Unidos. A anuidade é de US$ 300 (cerca de R$ 1.631 anualmente) e proporciona um ponto por dólar gasto.
Camila Velzi, gerente da Karta no Brasil, ressalta que a pontuação não deve ser o critério decisivo na escolha de um cartão. "Se a instituição cobra um spread elevado para conceder uma quantidade significativa de pontos, o cliente deve avaliar qual será realmente o uso prático deles. O valor não está apenas na pontuação, mas no benefício concreto que ela oferece em relação aos custos", afirma.
O cartão da Karta é voltado para um perfil de alta renda. De acordo com Velzi, seus parceiros incluem instituições financeiras, family offices e assessores de investimento que recomendam o produto a seus clientes. Entre os associados atuais, está a XP.
Cartões com IOF zerado
No segmento dos bancos digitais, tanto o Nubank quanto o Porto Bank devolvem o valor do IOF aos clientes. O primeiro realiza o estorno automático em um prazo de até 7 dias, enquanto o segundo efetua a devolução através de cashback na fatura. O PicPay, por sua vez, aplica um IOF de 3,5% sem oferecer restituição.
Dentre os grandes bancos, o BTG Pactual mantém uma campanha que, por tempo indeterminado, oferece IOF zero em todas as compras internacionais feitas com seus cartões. No entanto, esta instituição possui um spread de 6%.
O Banco do Brasil aplica um IOF reduzido, de 1,1%, para três cartões: Ourocard Visa Infinite, Ourocard Elo Nanquim e Ourocard Mastercard Black. A taxa de spread é determinada através de uma combinação de várias variáveis e pode oscilar de acordo com o cenário macroeconômico.
Cartões de grandes instituições
Bancos como Santander, Bradesco e Itaú disponibilizam uma extensa gama de cartões de crédito internacionais. O Santander opera com um spread de 6%, enquanto Bradesco e Itaú ainda não divulgaram suas respectivas taxas.
A XP, outra instituição presente neste segmento, trabalha com spread de 6%. É importante mencionar que dois de seus cartões oferecem anuidade isenta: o XP One e o XP Infinite. O XP Legacy tem anuidade de R$ 4,2 mil. Para novos clientes, há isenção por três meses, além de isenção total para aqueles que possuem um patrimônio líquido acima de R$ 3 milhões investidos na XP ou que realizam gastos mínimos de R$ 40 mil por fatura mensal. Para gastos superiores a R$ 20 mil por fatura mensal, é concedido um desconto de 50% na parcela da anuidade.
Há também a opção do XP Visa Infinite Privilege, destinado ao público de alta renda, cuja anuidade não é divulgada. Em contrapartida, os pontos são comunicados: 7% de investback ou 13 pontos por dólar em compras internacionais e até 2,5% de investback ou até 5 pontos por dólar em compras realizadas no mercado nacional.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br
