Dissidentes do Fed expressam apreensão sobre a inflação em relação à redução da taxa de juros

Dissidentes do Fed expressam apreensão sobre a inflação em relação à redução da taxa de juros

by Fernanda Lima
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Decisões sobre a taxa de juros do Federal Reserve

Autoridades do Federal Reserve que se opuseram ao corte da taxa de juros nos Estados Unidos nesta semana expressaram, em declaração feita na sexta-feira (12), sua preocupação com a elevada inflação, que ainda não justifica uma redução nas taxas de juros. Essa preocupação é reforçada pela ausência de dados oficiais recentes sobre o ritmo de aumento dos preços.

Posição de Austan Goolsbee

O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, declarou que votou contra o corte de 0,25 ponto percentual nos juros, argumentando que seria mais prudente aguardar novos dados sobre a inflação e o mercado de trabalho antes de tomar essa decisão. Ele destacou a preocupação contínua de empresas e consumidores com o aumento dos preços.

Goolsbee sugeriu que adiar a decisão até o início do próximo ano teria possibilitado aos formuladores de políticas acesso a dados governamentais mais atualizados, uma vez que importantes relatórios seriam divulgados na próxima semana. Ao mesmo tempo, essa espera apresentaria baixo risco adicional para um mercado de trabalho que aparenta estar “apenas moderadamente em desaceleração”.

Goolsbee afirmou: “Deveríamos ter esperado para obter mais dados, especialmente sobre a inflação”. Ele participou da votação que decidiu, na quarta-feira (10), pela redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto, levando a faixa para 3,50% a 3,75%.

Dados em atraso e opiniões divergentes

Dados governamentais fundamentais sobre o mercado de trabalho e a inflação estão atrasados, decorrentes da paralisação do governo federal, que durou 43 dias entre os meses de outubro e novembro, caracterizando o período de shutdown mais longo da história dos Estados Unidos. Nesse contexto, o presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, também expressou desacordo com a decisão de corte da taxa na quarta-feira (10), defendendo que a manutenção da taxa seria mais adequada. O membro do conselho do Fed, Stephen Miran, no entanto, argumentou a favor de um corte mais acentuado, de 0,50 ponto.

Goolsbee reiterou que “esperar até o ano novo para abordar esta questão não teria acarretado muitos riscos adicionais e traria a vantagem de dados econômicos atualizados, que têm estado ausentes ultimamente”. Ele destacou ainda que, considerando que a inflação está acima da meta do Fed há quatro anos e meio, a situação não mostra progresso, já que as preocupações com os preços têm sido uma constante entre empresários e consumidores.

Na opinião de Goolsbee, “não há indícios suficientes de uma deterioração tão rápida do mercado de trabalho que justificasse a urgência em tomar decisões sem novas informações”. Além disso, ele expressou otimismo em relação à possibilidade de uma redução significativa nas taxas de juros em 2026, caso os dados futuros indiquem a volta da inflação à meta de 2% estipulada pelo Fed.

Preocupações com a inflação

Schmid, por sua vez, também se manifestou contra o corte de 0,25 ponto percentual, afirmando que a inflação permanece “muito alta” e que a política monetária deve continuar a ser moderadamente restritiva para manter os preços sob controle.

Ele enfatizou que “atualmente, observamos uma economia com bom ritmo e uma inflação elevada, o que sugere que a política monetária não é excessivamente restritiva”. Em sua avaliação, muito pouco mudou desde que ele se opôs ao corte de juros em outubro, considerando que a inflação permanece acima da meta e que o mercado de trabalho está “em grande parte equilibrado”.

Os dados oficiais mais recentes sobre desemprego e inflação são do mês de setembro, quando a taxa de desemprego subiu para 4,4%, em relação a 4,3%, enquanto a medida da inflação preferida pelo Fed aumentou levemente para 2,8%, ante 2,7%. Observa-se que o aumento dos preços tem apresentado uma tendência de crescimento constante desde abril, quando a inflação atingiu 2,3%. Essa situação pode, em parte, ser atribuída ao repasse dos aumentos de tarifas de importação para os consumidores, um dos fatores que geram divergências nas políticas do banco central norte-americano.

Goolsbee e Schmid não farão parte do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pela definição das taxas de juros, a partir de 2026. Por outro lado, a presidente do Fed da Filadélfia, Anna Paulson, que começará a ter direito a voto, falou sobre sua preocupação com a fragilidade do mercado de trabalho durante uma conferência realizada na sexta-feira (12).

Paulson comentou: “De modo geral, ainda estou um pouco mais preocupada com a fragilidade do mercado de trabalho do que com os riscos de alta da inflação”. Ela acredita que há uma boa chance de a inflação começar a cair ao longo do próximo ano, à medida que os impactos das tarifas diminuírem. Estas tarifas, segundo ela, foram os principais responsáveis pelas pressões inflacionárias que ultrapassaram a meta no presente ano.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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