Dólar a R$ 4,90? Especialista aponta fator que pode levar a nova queda da moeda americana.

Dólar a R$ 4,90? Especialista aponta fator que pode levar a nova queda da moeda americana.

by Ricardo Almeida
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Queda do Dólar Frente ao Real

O dólar apresentou uma queda em relação ao real, atingindo o valor histórico de R$ 4,9508, com uma desvalorização de 0,84% nesta sexta-feira (17). Essa mudança ocorreu após a divulgação de notícias otimistas sobre um possível cessar-fogo entre o Líbano e Israel, a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, e a expectativa de discussões entre os Estados Unidos e o Irã ainda neste final de semana.

Fundamentação da Valorização do Real

Os fundamentos que sustentam a valorização do real não devem resultar em uma nova onda de quedas acentuadas. O mercado agora está mais suscetível à desvalorização do dólar em escala global.

Análise do Especialista

Em uma entrevista ao Money Times, o especialista em inteligência de mercado da Stonex, Lucca Bezzon, destacou que o real já se valorizou significativamente quando comparado ao dólar. O câmbio, que começou em R$ 5,50 no início de 2026, caiu para R$ 4,99 em menos de quatro meses.

Bezzon observou que o enfraquecimento global do dólar vem sendo constatado desde 2025, em decorrência das políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, levando os investidores a buscar maior diversificação fora da moeda norte-americana. Segundo ele, moedas como o peso mexicano e o real passaram a atrair mais fluxos de investimento estrangeiro, que alcançaram recordes na B3, sendo que a taxa de juros elevada também beneficiou a moeda brasileira nesse contexto.

Desempenho da Moeda Norte-Americana

Na última semana, o dólar apresentou uma queda significante de 0,97%. Além disso, as quedas acumuladas no mês e no ano foram de 4,19% e 9,60%, respectivamente. Bezzon ainda ressalta que fatores que pressionam o câmbio para baixo se tornaram evidentes, especialmente diante do aumento do apetite ao risco, enquanto a situação de conflito no Oriente Médio começa a mostrar sinais de arrefecimento.

Por volta das 11h48 (horário de Brasília), o dólar estava cotado a R$ 4,9717, com uma queda de 0,42%. O DXY, índice que compara a moeda norte-americana com uma cesta de seis outras divisas, recuava 0,44%, atingindo 97,771 pontos.

Ceticismo em Relação ao Dólar

Embora existam justificativas para explicar a queda do real, Bezzon observa que a continuidade desse movimento dependerá mais de um enfraquecimento adicional do dólar do que de um fortalecimento do real.

Bezzon aponta que "o ceticismo em relação ao dólar pode ser atribuído às políticas comercial e econômica da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump." Ele explica que no início do conflito com o Irã, o dólar se valorizou devido à desconfiança dos investidores, que ainda consideram a moeda norte-americana um porto seguro.

Ele argumenta que, em momentos de incerteza, o dólar costuma apresentar um comportamento mais moderado. Contudo, as dúvidas acerca da moeda contribuíram para a perda de força em relação ao real, o que beneficiou a moeda brasileira ao longo do último ano.

Para o curto prazo, Bezzon estima que o valor do dólar deve se estabelecer próximo de R$ 4,90, a menos que surjam eventos que provoquem reações significativas no mercado.

Perspectivas Futuras para o Câmbio

Apesar do cenário otimista para o real, Bezzon adverte que a proximidade das eleições pode trazer um aumento na volatilidade do câmbio, fenômeno já observado em ciclos eleitorais anteriores.

Mesmo após a notícia da reabertura do Estreito de Ormuz, a ferramenta Fed Watch do CME Group sugere que a possibilidade de um corte de juros pelo Federal Reserve deverá se concretizar apenas em março de 2027. Anteriormente, a expectativa era de que essa redução ocorresse entre junho e julho do próximo ano.

Nesse contexto, Bezzon destaca que a moeda brasileira pode perder a sua "âncora", o diferencial de juros. Ele explica que o Banco Central brasileiro deve continuar a cortar a Selic, enquanto o Federal Reserve deve manter a taxa entre 3,50% e 3,75%, reduzindo assim o diferencial de juros.

Para o final do ano, Bezzon espera uma trajetória crescente para o câmbio, com uma recuperação do dólar ao longo do ano.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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