Especialista afirma que o expansionismo fiscal está elevando a inflação.

Especialista afirma que o expansionismo fiscal está elevando a inflação.

by Fernanda Lima
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A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na última terça-feira (23), que se refere à reunião realizada nos dias 16 e 17 de junho, não trouxe esclarecimentos sobre os motivos que levaram o comitê a decidir pela redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Esta é a avaliação de Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR, expressa durante sua participação no programa Hora H.

Fonseca ressaltou que a decisão tomada na semana anterior já havia sido marcada por um comunicado que foi considerado bastante confuso. Portanto, havia a expectativa de que a ata desse mais clareza sobre a situação.

“A ata divulgada hoje continuou ainda muito confusa em relação às razões que levaram o Banco Central a optar por manter um afrouxamento monetário”, declarou o economista.

Cenário Inflacionário Preocupante

Fonseca destacou que, sob a perspectiva dos fundamentos econômicos, há poucas ou nenhuma justificativa para continuar a redução das taxas de juros.

De acordo com ele, o próprio Copom reconhece que a inflação atual está muito elevada, apresentando um aumento nos últimos meses e já ultrapassando o teto estabelecido para a meta de inflação.

“Mesmo quando excluímos os itens mais voláteis, que compõem o núcleo da inflação, os dados ainda mostram deterioração”, afirmou.

Além disso, o especialista enfatizou que as expectativas em relação à inflação permanecem desancoradas e se deterioraram ainda mais nas últimas semanas, com a taxa de câmbio evidenciando movimentos de depreciação.

A projeção do próprio Banco Central para o quarto trimestre de 2027 — que é o horizonte da política monetária — está fixada em 3,70%, enquanto a meta é de 3%. “A projeção do mercado é até mais elevada, ultrapassando os 4%”, acrescentou Fonseca.

Política Fiscal Como Principal Fator

Quando questionado sobre a maior relevância das questões internas em comparação ao cenário internacional, Fonseca foi claro: “Eu diria que é o principal motivo”.

Segundo ele, a única explicação para o Brasil operar com uma taxa real de juros em torno de 10%, estabelecendo a Selic em 15% e tendo uma inflação em torno de 5%, sem conseguir convergir os preços para a meta desejada, reside no desequilíbrio da política fiscal.

“Nos últimos anos, a política fiscal tem sido excessivamente expansionista, o que tem contribuído para elevar a inflação e, consequentemente, reduzido a eficiência da política monetária em cumprir seu papel”, afirmou. Fonseca estimou que, apenas neste ano, os estímulos fiscais somam quase R$ 200 bilhões, manifestados de diversas formas.

O Dilema Entre Atividade Econômica e Cumprimento da Meta

Sobre a possibilidade de o Banco Central estar suavizando a trajetória para atingir a meta de 3%, visando evitar impactos muito abruptos na atividade econômica, Fonseca reconheceu que essa abordagem faz parte das boas práticas de política monetária.

No entanto, ele ponderou que essa estratégia já está sendo aplicada há algum tempo, enquanto a inflação continua apresentando números significativamente superiores à meta estabelecida.

O economista lembrou que a atividade econômica está em um ritmo de crescimento saudável e que a taxa de desemprego encontra-se no menor patamar histórico registrado.

“Algum tipo de sacrifício será necessário para que possamos, a médio prazo, sustentar níveis de crescimento acompanhados de estabilidade de preços”, finalizou, enfatizando que é o momento de se concentrar no centro da meta de inflação.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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