Medidas do Governo e seus Efeitos nos Combustíveis
As medidas implementadas pelo governo para controlar a alta dos combustíveis estão agindo como um “freio de mão”, conforme aponta um relatório semanal de preços do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Este relatório foi antecipado de forma exclusiva para a CNN Money.
De acordo com o IBPT, essas medidas têm a função de conter a aceleração dos preços — que subiram de maneira acentuada em meses anteriores —, mas não são suficientes para conduzir os preços de volta a níveis mais baixos. O instituto destaca que a situação do custo de energia em 2026 se tornou um desafio estrutural, que as políticas tributárias até agora não têm conseguido resolver.
Análise do Mercado a partir de Abril
Ao avaliar as duas primeiras semanas de abril em comparação ao fechamento de março de 2026, os dados apontam para uma tentativa de estabilização dos preços, embora permaneçam em níveis elevados. O aumento dos preços, que era bastante acentuado no mês de março, parece ter atingido um patamar mais contido, embora ainda distante dos níveis que haviam sido registrados antes do conflito gerado pela guerra.
Para tentar controlar a alta do diesel, o governo anunciou a redução de tributos federais e uma subvenção para a importação desse combustível, contando com o suporte dos estados.
Após o considerável aumento no preço do diesel em março, que ocorreu em decorrência do início da guerra entre Estados Unidos e Israel e Irã, as primeiras semanas de abril mostraram um leve desaceleramento no ritmo de alta dos preços e, em algumas regiões, uma pequena correção negativa.
Esse fenômeno indica que o “choque de oferta” inicial ocasionado pela guerra foi absorvido pelas distribuidoras, que agora operam com estoques reguladores, permitindo assim uma variação marginal para baixo, após o pico de pressão no mercado.
Custo de Reposição e Distribuição
Com a incerteza relacionada ao custo de reposição, o mercado de distribuição requer a implementação de um “colchão de segurança” para assegurar que não haja desabastecimento, especialmente em áreas distantes dos portos, conforme relata Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT.
No que diz respeito à gasolina, o instituto constatou que durante o período de transição entre março e abril, o preço do combustível não registrou diminuição; ao contrário, observou-se uma consolidação dos incrementos de preços.
Por outro lado, o etanol apresentou um comportamento notadamente mais positivo quando comparado aos combustíveis derivados do petróleo.
Desempenho do Etanol
Enquanto os derivados de petróleo, como a gasolina C e o diesel, sofriam com aumentos significativos nas distribuidoras, o etanol hidratado mostrou um desempenho atípico, caracterizado por uma deflação em quatro das cinco regiões do Brasil. Esse cenário pode ser atribuído à pressão dos custos do câmbio e do barril de petróleo, além do alívio sazonal proporcionado pelo início da safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul.
Vulnerabilidade Logística do País
Entretanto, as análises regionais indicam um quadro de “vulnerabilidade logística” no país, conforme afirma Gilberto Luiz do Amaral. A alta de 30% no preço do diesel no Nordeste é identificada como um sinal de que o mercado ainda busca soluções eficientes para se proteger contra choques geopolíticos dessa magnitude.
Os dados relativos ao mês de abril evidenciam a fragmentação do Brasil. Enquanto o Centro-Sul tem encontrado maneiras de mitigar a crise utilizando biocombustíveis, as regiões Norte e Nordeste permanecem suscetíveis aos altos preços internacionais. Sem melhorias significativas na infraestrutura de cabotagem ou a construção de novas refinarias regionais, essas áreas continuarão a arcar com custos elevados em períodos de instabilidade externa.
Comparação de Alta de Preços
Desde o início da guerra, a gasolina subiu 5,83% no Sul e 6,18% no Sudeste. Entretanto, a alta registrada no Norte e no Nordeste já ultrapassa 11%. Em relação ao diesel, enquanto as regiões Sul e Sudeste enfrentaram um aumento de 19,14%, o Nordeste vê um crescimento de 28,37% nos preços.
Por fim, o etanol apresentou quedas em todas as regiões do Brasil, exceto no Nordeste, onde os preços acumulam um aumento de 5,43% em relação ao período anterior ao conflito.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


