Resultados da Sondagem no Projeto Araxá
A St George Mining divulgou, nesta quarta-feira, 18, novos dados de sondagem referentes ao projeto Araxá, localizado em Minas Gerais. Esses resultados reforçam o potencial de crescimento do depósito de terras raras e nióbio, levando a uma possível revisão para cima da estimativa de recursos minerais em um futuro próximo.
Perfuração Contínua e Sustentação do Modelo Geológico
Um dos principais destaques dos novos dados é uma perfuração contínua que atingiu 164,45 metros, a mais espessa já registrada no projeto. Essa perfuração confirmou a presença de mineralização relevante além dos limites atualmente considerados na modelagem de recursos. No momento, a estimativa de recursos para o projeto Araxá é calculada somente até aproximadamente 100 metros de profundidade.
Os resultados recentes indicam que a mineralização permanece aberta abaixo desse nível, além de se estender lateralmente. Isso sugere que há espaço para a expansão do depósito. Em termos práticos, isso implica que o volume total de minério que pode ser economicamente explorado ainda tem potencial para crescimento à medida que novas perfurações são integradas aos estudos geológicos.
Análises de Elementos Críticos
De acordo com a empresa, a continuidade de altos teores ao longo de longos intervalos aumenta a confiança no modelo geológico. Esse aspecto é um dos fatores que pode suportar futuras atualizações da estimativa de recursos. Essas atualizações são etapas essenciais que precedem os estudos econômicos que definem o tamanho da mina, a vida útil do projeto e a viabilidade financeira.
Além disso, as análises continuam a revelar proporções significativas de neodímio e praseodímio, considerados elementos críticos na fabricação de ímãs permanentes, utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa. Essa característica reforça a importância estratégica do depósito.
Avanços no Projeto
Atualmente, a continuidade do projeto é um ponto de grande relevância para o mercado, principalmente pela indicação de que ele pode ser maior do que o inicialmente estimado. Esse é um passo crítico que pode facilitar a liberação das próximas fases de desenvolvimento.
A St George Mining informa que as perfurações estão em andamento de forma contínua, operando 24 horas por dia, sete dias por semana, com três sondas diamantadas e uma sonda de circulação reversa em funcionamento. No momento, 20 furos já perfurados estão aguardando resultados laboratoriais, que devem fornecer novas informações sobre o tamanho e a qualidade do depósito nas próximas atualizações que a empresa divulgar.
O Projeto Araxá
O Projeto Araxá possui um recurso mineral estimado em 40,6 milhões de toneladas, com um teor médio de 4,13% de óxidos de terras raras e nióbio. A empresa classifica esse ativo como um depósito de classe mundial.
O projeto é monitorado de perto pelo mercado, pois se insere em um cenário de crescente demanda global por terras raras. Esses minerais são considerados estratégicos para a transição energética, para a indústria de alta tecnologia e para o setor de defesa, especialmente em um momento em que se busca reduzir a dependência em relação à China.
Benefícios Fiscais e Desenvolvimento do Empreendimento
O governo de Minas Gerais já formalizou um regime tributário preferencial que oferece benefícios fiscais à australiana St George Mining, com o intuito de acelerar o desenvolvimento do empreendimento. Acordo firmado prevê que equipamentos e outros materiais adquiridos para o desenvolvimento do projeto fiquem isentos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que pode atingir 18% no estado.
Com a evolução do projeto, a mineradora tem se posicionado para atuar como fornecedora de minerais críticos para países ocidentais, mantendo diálogos com autoridades dos Estados Unidos. No ano passado, representantes da St George se encontraram com integrantes do governo norte-americano para discutir possíveis acordos de fornecimento.
A empresa está também em negociação com a americana REalloys para um contrato de offtake (compra futura) de longo prazo, que poderá envolver até 40% da produção de terras raras do Projeto Araxá.
Previsto para iniciar operações até 2027, o projeto está situado próximo às instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), a maior produtora mundial de nióbio, que é responsável por cerca de 80% da oferta global desse mineral.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


