Ameaças ao Bab el-Mandeb e Implicações para o Mercado de Petróleo
President Donald Trump enfrenta o risco de que o Irã feche o Estreito de Bab el-Mandeb caso o conflito no Oriente Médio se intensifique. Esse cenário poderia resultar em uma drástica redução das ofertas de petróleo em um mercado que já está profundamente afetado.
Importância do Estreito de Bab el-Mandeb
O Bab el-Mandeb é um dos principais pontos de estrangulamento comercial do mundo, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Mar Arábico. Esse estreito tem funcionado como uma válvula de alívio crucial para o mercado de petróleo, especialmente considerando que as exportações pelo Estreito de Hormuz diminuíram drasticamente devido a ataques iranianos em embarcações de carga e petroleiros.
Aumento das Exportações Sauditas
Após o fechamento do Estreito de Hormuz, a Arábia Saudita aumentou os fluxos de petróleo através de seu oleoduto Leste-Oeste, redirecionando milhões de barris por dia para o Mar Vermelho. Esses barris atravessam o Bab el-Mandeb com destino à Ásia, o que auxiliou em parte a compensar a perda de abastecimento para economias essenciais como Japão e Coreia do Sul.
Os dados fornecidos pela Kpler indicam que as exportações de petróleo e produtos através do Bab el-Mandeb quase dobraram, alcançando 7,2 milhões de barris por dia em abril, em comparação a 3,9 milhões de barris por dia em fevereiro, antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
Ameaças do Irã e Tensão Regional
Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou fechar o Bab el-Mandeb se Israel não cessasse os ataques em Gaza e no Líbano, conforme reportado pela agência estatal de notícias Tasnim. Teerã deixa claro que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos deve incluir a retirada de Israel do Líbano.
Consequências do Fechamento do Estreito
O fechamento do Bab el-Mandeb pelo Irã resultaria na interrupção do fluxo de barris sauditas em direção à Ásia, de acordo com Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler. Ele comentou: "Isso seria um aumento na escalada e no impacto no mercado". O fluxo de petróleo pelo Mar Vermelho é um dos fatores que impediram os preços do petróleo bruto de subir ainda mais.
Os preços do petróleo bruto dos Estados Unidos dispararam 8% durante a sessão na segunda-feira, após a ameaça do Irã em relação ao Bab el-Mandeb. Entretanto, os preços recuaram depois que Israel e Líbano concordaram na quarta-feira em implementar um cessar-fogo, mas a eficácia do mesmo permanece incerta.
O Hezbollah, aliado libanês do Irã, que atua independentemente do governo em Beirute, rejeitou o acordo de cessar-fogo na quinta-feira. O Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu informou à CNBC na quarta-feira que "precisamos desarmar o Hezbollah e precisamos desmilitarizar o Líbano".
Dinâmica da Conflito entre EUA e Irã
O cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã permanece frágil. Recentemente, Washington e Teerã trocaram tiros em e ao redor do Estreito de Hormuz. Caso os EUA escalem suas ações militares, a resposta natural do Irã provavelmente seria direcionar seu foco ao Bab el-Mandeb, conforme afirmado por Matt Smith.
Os aliados Houthi do Irã no Iémen têm se mantido, até agora, à margem do conflito atual. Os Houthis atacaram embarcações comerciais no Mar Vermelho de 2023 até 2025 em retaliação à guerra de Israel em Gaza. O tráfego através do Bab el-Mandeb teve uma queda acentuada e nunca se recuperou por completo desde então.
Histórico de Conflitos e Cessar-Fogo
A administração Trump conduziu uma campanha aérea de 52 dias contra os Houthis, que terminou em maio de 2025 com um cessar-fogo. Os Estados Unidos suspenderam seus ataques em troca de um compromisso dos militantes em interromper os ataques a navios com bandeira dos EUA no Mar Vermelho.
Os Houthis podem estar aguardando a decisão da liderança iraniana sobre a conveniência de abrir um novo frente de batalha, conforme observado por Jack Kennedy, chefe de risco por país no Oriente Médio da S&P Global Market Intelligence.
Impacto Potencial dos Houthis
Os Houthis não precisariam realizar muitas ações para cortar o tráfego no Bab el-Mandeb, segundo Matt Smith. Ele sugeriu: "Eles não precisariam disparar contra todos os petroleiros que passassem por lá. Alguns alvos específicos seriam suficientes para começar a desincentivar a passagem por ali".
Fonte: www.cnbc.com


