Reserva do Banco da Índia Mantém Taxa de Juros em 5,25%
Na quarta-feira, o banco central da Índia decidiu manter a taxa de juros de referência em 5,25%, alertando que a guerra no Irã gerou preocupações em relação à inflação e também sinalizando riscos para o crescimento econômico do país.
Expectativa do Mercado
Economistas consultados pela Reuters previam que a taxa de política monetária permaneceria inalterada. A intensidade e a duração do conflito no Irã, juntamente com os danos resultantes à infraestrutura de energia e outros setores, representam um "risco para a inflação e crescimento" da Índia, afirmou o governador do Reserve Bank of India (RBI), Sanjay Malhotra, em sua declaração.
Revisão do Crescimento do PIB
O RBI revisou suas previsões de crescimento do PIB real da Índia para o trimestre de abril a junho, passando de 6,9% para 6,8%, e para o trimestre de julho a setembro, de 7,0% para 6,7%. Malhotra destacou que os altos preços de energia e de outras commodities, aliados ao choque de oferta devido a interrupções no Estreito de Ormuz, impactariam negativamente a produção interna durante o ano fiscal que se encerra em março de 2027.
Aumento da Inflação ao Consumidor
A inflação ao consumidor na Índia teve um aumento pelo quarto mês consecutivo, alcançando 3,21% em fevereiro, em comparação com 2,75% do mês anterior. O governador Malhotra mencionou que a perspectiva de preços de alimentos no país continua "confortável no curto prazo", mas observou que o aumento dos preços da energia em decorrência do conflito no Oriente Médio representa um risco inflacionário.
Desafios ao Crescimento Econômico
Apesar do crescimento acentuado, a Índia mantém-se como a economia grande que mais cresce no mundo, com uma expansão superior ao esperado de 7,8% no trimestre encerrado em dezembro. No entanto, as preocupações relacionadas à guerra no Irã pesam sobre a economia. O conselheiro econômico-chefe da Índia, V. Anantha Nageswaran, alertou no mês passado que a previsão de crescimento entre 7,0% e 7,4% para o ano fiscal que termina em março de 2027 enfrenta "riscos consideráveis" devido ao aumento dos custos de energia e interrupções nas cadeias de suprimento vinculadas ao conflito.
Nageswaran enfatizou que o conflito no Oriente Médio prejudicaria o fornecimento de commodities essenciais, como petróleo, gás e fertilizantes, elevando os preços de importação e aumentando os custos logísticos, o que teria impacto tanto no crescimento quanto na inflação.
Impacto do Conflito no Comércio
O conflito, que começou em 28 de fevereiro após ataques dos EUA e de Israel ao Irã, resultou na interrupção do transporte de mercadorias pelo Estreito de Ormuz — uma via crucial que transporta 20% do petróleo global. Isso também tem elevado os custos de energia e frete, além de tensionar as cadeias de abastecimento.
Sinal de Esperança Temporária
Como um alívio temporário, os EUA e o Irã concordaram com um cesse-fogo, com Teerã afirmando que a passagem segura de embarcações é "possível" nas próximas duas semanas, em coordenação com as forças armadas do país.
Indicadores de Crescimento do Setor Privado
Indicando preocupações com o crescimento, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) preliminar da HSBC, compilado pela S&P Global, mostrou que a atividade do setor privado na Índia em março caiu para seu nível mais baixo desde outubro de 2022. As empresas entrevistadas relataram que a guerra no Oriente Médio, as condições de mercado instáveis e as pressões inflacionárias "reduziram o crescimento".
Projeções para a Inflação e Taxa de Juros
Embora os preços do petróleo permaneçam elevados, a inflação é improvável que ultrapasse 6%, mas os "riscos de baixa ao crescimento" são mais significativos, de acordo com Anubhuti Sahay, chefe da pesquisa econômica da Índia no Standard Chartered Bank, que também acrescentou que um aumento da taxa parece improvável.
No entanto, Sahay observou que, em um cenário onde outros bancos centrais aumentem suas taxas de política, e haja "tremenda pressão sobre o rupee", o RBI poderia "usar as taxas de política como uma ferramenta para gerenciar o risco do setor externo".
Fonte: www.cnbc.com


