Aumento da Atividade nas Pipelines Alternativas
Um tanque de combustível estrangeiro, que transportava óleo iraquiano, foi danificado após pegar fogo em águas territoriais do Iraque, como resultado de ataques não identificados que atingiram dois petroleiros estrangeiros, conforme informado por autoridades portuárias iraquianas, próximo a Basra, no Iraque, no dia 12 de março de 2026.
Mohammed Aty | Reuters
Pipelines em Destaque
A efetiva interrupção do Estreito de Hormuz trouxe à tona duas alternativas para o transporte de petróleo, uma na Arábia Saudita e outra nos Emirados Árabes Unidos.
Petroline da Arábia Saudita
A primeira alternativa é a rede de dutos leste-oeste da Arábia Saudita, conhecida como Petroline, que se estende por aproximadamente 1.200 quilômetros e transporta petróleo bruto através do território saudita, conectando Abqaiq, na costa do Golfo Leste, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
O pipeline leste-oeste tem uma capacidade total de projeto estimada em 7 milhões de barris por dia, após expansões recentes. A gigante do petróleo saudita, Aramco, afirmou no início da semana que espera que a rede alcance a capacidade máxima nos próximos dias.
Pipeline da Adcop nos Emirados Árabes Unidos
A segunda alternativa, de menor porte, é o Pipeline de Petróleo Bruto de Abu Dhabi (ADCOP), também conhecido como o pipeline Habshan-Fujairah. Com uma extensão de cerca de 400 quilômetros, conecta as instalações de petróleo onshore em Habshan a Fujairah, sendo estimado que esse duto manuseie 1,5 milhão de barris por dia, com uma capacidade total reportada próxima de 1,8 milhão de barris por dia.
Implicações da Interrupção do Estreito de Hormuz
Ambas as alternativas de infraestrutura do Golfo evitam o Estreito de Hormuz, considerado um ponto vital para o transporte de petróleo, que tem estado bloqueado desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro.
O Irã retaliou atacando embarcações que tentavam passar pelo estreito marítimo, com vários incidentes registrados nos últimos dias.
Analistas de energia afirmaram que, em conjunto, o duto leste-oeste e o ADCOP poderiam ajudar a compensar parcialmente os quase 20 milhões de barris por dia que normalmente transitam pelo Estreito de Hormuz. Entretanto, o risco de danos às infraestruturas, em meio à crise em expansão no Oriente Médio, continua a ser um desafio constante.
Utilização das Pipelines Existentes
Naveen Das, analista sênior de petróleo da empresa de inteligência comercial global Kpler, declarou à CNBC por e-mail que “A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos já estão aumentando a utilização de dutos que evitam o estreito”.
No caso dos Emirados Árabes Unidos, estima-se que o pipeline ADCOP de 1,5 milhão de barris por dia esteja operando com uma utilização de 71%, o que deixa cerca de 440 mil barris por dia de capacidade livre. Das mencionou que a ADNOC pode aumentar temporariamente o volume transportado para 1,8 milhão de barris por dia, se necessário.
Ele acrescentou que a perspectiva de ataques à infraestrutura de energia em todo o país pode limitar essa estimativa total de capacidade.
Desafios na Produção de Petróleo
De fato, a gigante estatal de petróleo de Abu Dhabi teria fechado sua enorme refinaria de Ruwais em resposta a um incêndio em uma instalação dentro do complexo, de acordo com vários relatos da mídia que citam fontes não identificadas. A CNBC entrou em contato com um porta-voz da ADNOC e aguarda uma resposta.
O complexo de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, é estimado como capaz de processar 922 mil barris de petróleo bruto por dia.
Ajustes Necessários nas Refinarias
Pankaj Srivastava, vice-presidente sênior da empresa de pesquisa em energia Rystad Energy, comentou em uma nota de pesquisa que “Com o suprimento de petróleo cada vez mais preso no Golfo, os refinadores podem em breve ser forçados a ajustar suas operações, reduzindo a atividade, enquanto as exportações de produtos estagnam e direcionando a produção exclusivamente para mercados internos”.
Ele enfatizou que “O Pipeline de Petróleo Bruto de Abu Dhabi (ADCOP) permite que as exportações de petróleo bruto evitem o estreito através de Fujairah, mas os produtos refinados do complexo de Ruwais ainda dependem em grande parte das rotas de petroleiros que transitam pelo Hormuz”.
Como resultado, o Srivastava alertou que as refinarias dos Emirados Árabes Unidos podem precisar ainda ajustar as exportações de produtos ou gerenciar o acúmulo de inventário se os fluxos marítimos permanecerem restritos.
Impacto no Mercado de Energia
Os preços do petróleo têm se mostrado extremamente voláteis desde o início da guerra do Irã, com o petróleo bruto Brent, referência global, chegando a quase $120 por barril no início da semana, antes de recuar para cerca de $90.
Os contratos futuros de petróleo foram vistos sendo negociados perto de $100 por barril na manhã de quinta-feira, com novos ataques a navios no Golfo Pérsico sendo relatados.
Sasha Foss, analista do mercado de energia da Marex, afirmou que “quanto mais esse conflito se prolongar, mais esses armazenamentos se encherão e não haverá nada a fazer além de cortes na produção”.
Ele estimou que a produção de petróleo do Iraque poderia ter caído em até 70% devido à guerra do Irã e alertou que novas paralisações na produção poderiam fazer os preços do petróleo subirem ainda mais.
Foss concluiu ressaltando que “Quando observamos países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos fazendo cortes, é quando o impacto no mercado global de petróleo será realmente significativo”.
Fonte: www.cnbc.com

