Grupo de Especialistas Alerta Sobre a Situação Econômica do Brasil
Um grupo de especialistas, formado principalmente por economistas com experiência tanto no mercado quanto no setor público, lançou um alerta acerca da atual situação econômica do Brasil.
Estudo Revela Ciclo Vicioso
Conforme o estudo intitulado “Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir”, o país se encontra preso em um ciclo vicioso que impede o crescimento econômico e aprofunda as desigualdades sociais .
O trabalho, coordenado por Fernando Veloso, do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social); Marcos Mendes, do Insper; e Vinícius Botelho, ex-secretário do Ministério do Desenvolvimento Social, identifica três problemas centrais que estão interligados:
- Desequilíbrio fiscal crônico;
- Baixa eficácia das políticas sociais;
- Estagnação da produtividade brasileira.
Produtividade Estagnada Há Décadas
Um dos dados alarmantes revelados pela pesquisa é que, entre os anos de 1981 e 2024, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Brasil cresceu apenas 1% ao ano, em média. Em contrapartida, o crescimento da produtividade foi ainda mais baixo, alcançando uma média de apenas 0,5% anuais.
Fernando Veloso alerta que, se esse ritmo persistir, o Brasil levará impressionantes 140 anos para dobrar sua produtividade, enfatizando a gravidade da situação.
De acordo com os pesquisadores, para inverter esse quadro crítico, o país precisaria implementar uma série de reformas estruturais . Entre estas reformas, destacam-se a maior abertura comercial, a redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias, além da melhoria do ambiente de negócios.
Veloso acentua que o Brasil é um dos maiores usuários de barreiras não tarifárias no mundo, com 86,4% das importações sujeitas a algum tipo de restrição.
Crescimento dos Gastos Sociais e Questionamentos sobre a Eficácia
O estudo também revela preocupações com a eficiência dos programas sociais brasileiros. Entre os anos de 2014 e 2023, os gastos com transferência de renda aumentaram em 142% em termos reais, enquanto o número de pessoas na camada mais pobre da população teve uma redução de apenas 11%. Este resultado indica a presença de problemas na focalização e na eficiência dos programas de assistência social, segundo os autores do estudo.
Fernando Veloso comenta que o Bolsa Família, que historicamente apresentou uma boa focalização, passou por mudanças que comprometeram sua eficácia. Um exemplo é a criação de um piso mínimo por família de R$ 600, que incentivou o desmembramento artificial de famílias no cadastro único.
Além disso, o BPC (Benefício de Prestação Continuada) também teve um aumento significativo nos últimos anos, “sem muito critério e com muita judicialização”, conforme destaca o pesquisador.
Urge a Implementação de Reformas Fiscais
O trabalho quantifica a necessidade de ajuste fiscal em quatro pontos percentuais do PIB, um valor que se revela expressivo, equivalendo a mais da metade do gasto com a Previdência.
Os pesquisadores afirmam que as tentativas recentes, como o teto de gastos e o arcabouço fiscal, não estão funcionando de forma eficaz, sendo prejudicadas pelas exceções estabelecidas.
“Mais importante do que regras, o que nós precisamos agora é efetivamente realizar as reformas da Previdência “, enfatiza Veloso.
Ele chama a atenção também para a necessidade de rever a política de valorização do salário mínimo, dado que isso impacta diretamente os gastos previdenciários e assistenciais.
Segundo concluem os pesquisadores, sem a implementação dessas reformas estruturais, o Brasil poderá enfrentar uma crise fiscal similar à que ocorreu entre os anos de 2014 e 2016.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


