Críticas de Alessandro Vieira à CPI do Crime Organizado
O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), efetuou críticas em relação a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, têm dificultado o progresso dos trabalhos da comissão e a investigação acerca de crimes relacionados a colarinho branco. Vieira também comentou que o ministro Alexandre de Moraes “inibe” o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), buscando impedir que a comissão obtenha informações relevantes.
Críticas ao Coaf
Vieira destacou que “o Coaf está constrangido”, afirmando que está sendo “ameaçado pelo ministro Alexandre de Moraes” para que não forneça relatórios de inteligência financeira, sob a alegação de que isso poderia acarretar uma série de crimes e ilícitos. Ele questionou: “Por quê? O que tem de tão grave que tem que esconder? São os voos nos aviões de Vorcaro? Não dá mais para esconder. A CPI já mostrou.”
Decisão de Moraes
No final de fevereiro, Moraes emitiu uma decisão que impôs limitações ao compartilhamento de relatórios de atividades financeiras gerados pelo Coaf com investigações. Entre as exigências, está a necessidade de haver uma investigação criminal ou procedimento administrativo formal já instaurado.
Além disso, é necessário justificar a “pertinência temática” e a identificação do investigado para que informações sejam compartilhadas.
Voos de Moraes
Alessandro Vieira trouxe à tona o fato de que Moraes realizou pelo menos oito voos em aeronaves associadas ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Um dos voos ocorreu um dia antes de uma reunião entre o ministro e o banqueiro.
A informação foi obtida a partir da análise de registros de entrada no terminal de voos executivos do Aeroporto de Brasília, que se cruzaram com a movimentação das aeronaves e diálogos entre Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff.
Depoimento de Ibaneis Rocha
Vieira também se dirigiu ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou ao cargo no final de março deste ano. O ex-governador não compareceu ao seu depoimento na terça-feira (4), depois de ter conseguido um habeas corpus do ministro André Mendonça que tornava sua presença facultativa.
O relator da CPI afirmou que, mesmo após a constatação de que as carteiras do Banco Master eram fraudulentas, o Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 20 bilhões em ativos ligados à instituição financeira de Vorcaro.
A Relação com a Lei
"No Brasil, a lei só vale para pobre. Essa é a realidade, infelizmente. Eu fico impressionado com como alguém pode pedir a confiança dos brasileiros ou dos moradores do DF e depois não ter coragem de prestar contas”, lamentou Vieira.
Fonte: www.moneytimes.com.br


